Site Antigo – Resumo das Ideias (3)

Ayn Rand Old Site - 03 - Resumo de Ideias

Este o texto da terceira página, Resumo de Suas Ideias:

Ayn Rand: A Face Contemporânea do
Racionalismo, do Individualismo e do Liberalismo

 Eduardo Chaves

  1. Introdução: O Projeto de Ayn Rand
  2. A Filosofia
  3. A Metafísica
  4. A Epistemologia
  5. A Ética
  6. A Filosofia Política
  7. A Visão da Economia
  8. A Estética

“‘Deus, conceda-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as coisas que posso, e sabedoria para discernir a diferença’.

Esta notável afirmação é atribuída a um teólogo de cujas idéias discordo em todos os aspectos fundamentais: Reinhold Niebuhr. Mas – omitindo-se a forma de oração, i.e., a implicação de que os estados mentais-emocionais de uma pessoa podem se transformar em realidade pela graça de Deus – esta afirmação é profundamente verdadeira, como um sumário e uma diretriz: ela explicita a atitude mental que um homem racional deve procurar alcançar. A afirmação é bela em sua eloqüente simplicidade; mas o alcançar daquela atitude envolve as questões morais-metafísicas mais profundas da filosofia.” [1]

1. Introdução: O Projeto de Ayn Rand

Ayn Rand certamente vai ser colocada entre as figuras mais importantes da filosofia do século XX e como a mais intransigente e coerente defensora da razão contra as várias formas de irracionalismo, do indivíduo contra as várias formas de coletivismo (social ou estatal), e da liberdade contra todas as formas de servitude. Mas a defesa do indivíduo e da liberdade se encaixam no contexto maior de sua defesa da razão. Na verdade, fazem parte de sua defesa da razão a defesa dos seguintes princípios, sem os quais a razão sossobra:

Realismo, na metafísica: a realidade existe, tem existência objetiva, e tem primazia sobre a consciência que dela tem o homem, ou seja, existe independentemente de ser percebida ou ser conhecida, não sendo, portanto, de maneira alguma, “construída” pela mente humana.

Empirismo, realismo, racionalismo, e objetivismo, na epistemologia: a realidade é cognoscível através dos sentidos e da razão; os sentidos fornecem a matéria prima que a razão identifica, analisa e integra na forma de conceitos, e esse conhecimento conceitual da realidade é objetivo.

Individualismo, egoísmo e racionalismo na ética: O indivíduo é a base de considerações morais, não o social, porque a razão é atributo do indivíduo, e não do coletivo, e é através da razão que o indivíduo define o código de valores que vai determinar sua conduta: um código baseado em seu auto-interesse racional (egoísmo), voltado para a preservação de seu valor supremo, a sua vida como ser racional (e conseqüentemente livre.

Liberalismo “laissez faire” na política: O único propósito defensável de um estado é defender os direitos do indivíduo à vida e à liberdade, protegendo-o contra a violência física, fraudes e quebra de contratos. Suas funções legítimas, portanto, devem se restringir a ser polícia (proteger o indivíduo de quem, dentro de uma unidade política, pode querer violar os seus direitos), ser exército (proteger o indivíduo de ameaças externas) e ser juiz (proteger os contratos e as propriedades do indivíduo contra quebra, fraude, roubo e outras ameaças.

Capitalismo na economia: O capitalismo é o único sistema econômico que preserva todos os outros princípios aqui enunciados; ele possui, portanto, um embasamento moral, e não meramente econômico ou pragmático.

A todo esse conjunto, que forma um dos poucos sistemas integrados e coerentes na filosofia do século XX, Ayn Rand deu o nome de Objetivismo (porque o termo “Racionalismo” já estava desgastado). Vamos discuti-lo em partes.

Mas é importante ressaltar desde já que o tema da razão pervade todos esses sub-temas. A própria Ayn Rand deixa isso claro:

“… Não sou primariamente uma advogada do capitalismo, mas do egoísmo; e não sou primariamente uma advogada do egoísmo, mas da razão. Se alguém reconhece a supremacia da razão e a aplica consistentemente, tudo o mais segue. Isto – a supremacia da razão – foi, é e será a preocupação primária de meu trabalho, e a essência do Objetivismo. … A razão na epistemologia leva ao egoísmo na ética, que por sua vez leva ao capitalismo na política. A estrutura hierárquica não pode ser invertida, nem pode um nível posterior se sustentar sem o fundamental” [2].

“Não podemos lutar contra o coletivismo, a menos que lutemos contra sua base moral: altruísmo. Não podemos lutar contra o altruísmo, a menos que lutemos contra sua base epistemológica: irracionalismo. Não podemos lutar contra nada – a menos que lutemos por alguma coisa: e aquilo pelo que devemos lutar é a supremacia da razão, e uma visão do homem como ser racional” [3].

2. A Filosofia

“A filosofia é a ciência que estuda os aspectos fundamentais da natureza da existência. A tarefa da filosofia é fornecer ao homem uma visão abrangente da vida. Essa visão serve como base, como quadro de referência, para suas ações, mentais ou físicas, psicológicas ou existenciais. Essa visão lhe define a natureza do universo com o qual ele tem que lidar (metafísica); os meios pelos quais ele deve lidar com o universo, i.e., os meios de obter conhecimento (epistemologia); os padrões mediante os quais ele deve escolher suas metas e seus valores, tanto em referência à sua vida e seu caráter (ética) como em referência à sociedade (política); e os meios de concretizar essa visão (estética). Ao homem não é dada a escolha de ter ou não ter uma visão abrangente da vida: ele não pode sobreviver sem ela. … Sua escolha … diz respeito somente à visão que ele vai escolher, se ela é verdadeira ou falsa. Se for falsa, ela acaba por funcionar como o seu próprio destruidor” [4].

3. A Metafísica

O moto citado no início deste trabalho é pleno de premissas filosóficas da mais alta importância. A maioria das pessoas, desconhecedoras deste fato, passam a maior parte de suas vidas em rebelião fútil contra coisas que não têm o poder de mudar, passivamente resignadas a coisas que poderiam mudar e sem jamais tentar descobrir quais são quais. O resultado desta postura filosófica é um sentimento crônico de dúvida sobre si próprio e de culpa. (E depois ainda há gente que duvida que a filosofia tenha implicações e conseqüências práticas… É uma filosofia inadequada que leva tanta gente aos divãs dos analistas).

A. A Primazia da Realidade

O moto retirado de Niebuhr reconhece que há coisas que o homem não pode mudar. Reconhece, portanto, que há coisas que não são afetadas por sua ação, que não são objeto de sua escolha e decisão: essas coisas são porque são, são porque assim nos são dadas. O moto reconhece, portanto, a primazia da realidade.

A primazia da realidade é o axioma (aparentemente trivial) de que o que existe, existe, i.e., de que o universo existe independentemente de nossa percepção, de nossa consciência dele, de nossos desejos, de nossos receios. As coisas na natureza são o que são, possuem uma natureza específica, uma identidade.

B. A Cognoscibilidade da Realidade

O corolário epistemológico deste axioma é que a realidade é cognoscível pelo homem, porque é parte da natureza do homem ser consciente (conscious) dessa realidade. Através de sua consciência, ou seja, de sua capacidade de perceber a realidade, o homem é capaz de conhecer o que existe. Este conhecimento da realidade se adquire olhando “para fora de si”, para a realidade.

Consciência é a capacidade de perceber aquilo que existe (Peikoff, 4).

C. Nota Sobre a Filosofia Moderna

A filosofia moderna tem invertido esses dois axiomas, com desastres inimagináveis por conseqüência. Afirma ela a primazia da consciência, não da realidade. “Esse est percipii”, dizia Berkeley, ser é ser percebido. Estava errado. “Esse est esse” – “A é A” – o princípio da identidade.

Mas a gênese do problema já está em Descartes e Kant colocou os retoques finais de acabamento nesse sistema irracional, tentando mostrar que não temos acesso às coisas elas-mesmas (noumena), à realidade, como ela é, mas apenas a fenômenos mentais, ou seja, às coisas (se é que podemos continuar a falar de “coisas”) como elas nos são representadas mentalmente (phenomena). Nunca vamos pode saber se nossas representações mentais correspondem à realidade, porque esta nos é inacessível.

Seus colegas contemporâneos (de Descartes e de Kant) persistem no erro. Para eles, o que percebemos não é a realidade externa, mas sensações, sense data, ou seja, nada mais do que o produto de nossa própria consciência.

Por isso é que a existência de um mundo exterior se tornou, absurdamente, um dos maiores problemas da filosofia moderna e contemporânea: como é que posso provar que existe, como causa de minhas sensações, uma realidade objetiva, se tudo o que percebo são as próprias sensações?

O corolário epistemológico do axioma metafísico que dá primazia à consciência é a noção de que se adquire conhecimento olhando para dentro, olhando para a nossa própria consciência ou estrutura mental – e não olhando para fora, para a realidade.

D. O Dualismo Sujeito – Objeto

Desta forma, a filosofia moderna perdeu de perspectiva o dualismo entre o sujeito cognoscente e a realidade cognoscível, entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Consciência e realidade passam a ser vistas como uma só coisa.

Esta distinção entre sujeito e objeto do conhecimento não nos é dada de forma automática: ela tem que ser aprendida. Ela está implícita em minha consciência mas tem que ser formulada conceitualmente e ser considerada como absoluta. Crianças e seres primitivos não fazem essa distinção com clareza.

Mesmo homens adultos e civilizados têm o poder de ignorar esta distinção. Ela não se impõe: o conhecimento da realidade não é automático. Para ver, não basta ter olhos, a despeito do que diz o Evangelho: é preciso tomar a decisão de ver, deixar que a razão aja sobre os dados perceptuais analizando-os, integrando-os. (O conhecimento não é “manifesto”, como diria Popper).

O homem tem a opção de perceber a realidade ou de fugir dela, de tentar mascará-la, de tentar forjar uma realidade “à sua própria imagem”, determinada por seus desejos e temores.

Conhecer a realidade é descobrir as características ou propriedades das coisas que existem, é descobrir e aceitar aquilo que é metafisicamente dado.

E. A Possibilidade de Intervenção sobre a Realidade

Mas o moto reconhece que há coisas que podem ser mudadas, e, portanto, que o homem tem capacidade de ação sobre a natureza, que algumas coisas estão sujeitas à sua vontade e à sua decisão. Mas é preciso deixar claros os limites: o único poder que o homem possui sobre a natureza é o de combinar ou rearranjar seus elementos para que estes sirvam às suas necessidades. É este o método de sobrevivência.

O homem não consegue criar algo a partir do nada. Sua criatividade é a de produzir arranjos ou combinações de elementos naturais que não existiam antes. Para dominar a natureza, ele precisa primeiro obedecê-la, como disse Francis Bacon (“Nature, to be commanded, must be obeyed”). Neste contexto, comandar a natureza significa arranjá-la de tal forma que sirva aos propósitos do homem; obedecê-la significa que os propósitos do homem não serão atingidos na natureza, a menos que ele descubra as propriedades dos elementos naturais e aja de maneira a respeitá-los.

F. Como Saber Discernir a Diferença?

A diferença entre aquilo que pode ser mudado e aquilo que não pode ser mudado se discerne através da razão – e aqui entramos no campo da epistemologia.

4. A Epistemologia

Os sentidos são a única fonte de informação que o homem tem acerca da realidade, sua única forma de contacto com ela. Sem evidência sensorial, não se pode falar em conceitos; sem conceitos não há linguagem; sem linguagem não há conhecimento [5].

O homem é um ser consciente. Sua consciência (consciousness [6]) é sua faculdade de perceber aquilo que existe. Uma consciência pura, sem nenhum objeto, é, portanto, algo impossível, uma contradição em termos. Também é impossível uma consciência consciente apenas de si própria. Antes que a consciência possa se identificar enquanto tal, ela precisa estar consciente de alguma coisa diferente de si própria [7].

A consciência do homem – bem como a existência de um mundo exterior do qual ele é consciente – é um primário irredutível que não pode ser analisado ou provado. Qualquer tentativa de prová-la ou a pressupõe ou envolve contradição [8].

Embora, cronologicamente, a consciência do homem se desenvolva em três estágios – sensação, percepção e concepção – epistemologicamente todo o conhecimento humano tem sua base na percepção e se coroa na concepção (que é a forma distintamente humana de conhecer) [9].

As sensações, enquanto tais, não são retidas na memória, e o homem não é capaz de experimentar uma sensação puramente isolada. Tanto quanto se possa determinar, a experiência sensorial de uma criança pequena é um caos não diferenciado. As sensações começam a ser discriminadas a nível da percepção [10].

Um perceito (lat. perceptum [11]) é um grupo de sensações automaticamente retido e integrado pelo cérebro de um organismo. É na forma de perceitos que o homem apreende a evidência de seus sentidos e percebe a realidade. Perceitos, não sensações, são o dado, o auto-evidente, aquilo a que nos referimos quando dizemos que alguma coisa é direta e imediatamente perceptível. O conhecimento das sensações que compõem um perceito não é dado – somente é adquirido pelo homem através de um complexo processo de descoberta [12].

Um conceito é uma integração mental de duas ou mais unidades que são isoladas de acordo com características específicas e unidas através de uma definição específica [13].

A formação de um conceito envolve esses dois elementos: primeiro isolamento de algumas características específicas compartilhadas por duas ou mais entidades, e, segundo, a integração dessas características em uma nova entidade – só que agora mental – que passa a ser usada como uma unidade de pensamento singular. O isolamento se dá através de um processo de abstração: algumas características são focalizadas (abstraídas), enquanto outras são ignoradas. Já a integração se dá através de uma definição, que dá ao conceito a sua identidade, e se consubstancia em um termo de nossa linguagem. A função da linguagem é, portanto, permitir que um conceito seja utilizado como uma unidade de pensamento singular. O termo que designa um conceito permite que este, que é geral, seja manipulado como se fosse um “concreto mental”. É a linguagem que permite que um conceito seja facilmente diferenciado de outros conceitos. Nomes próprios, por outro lado, são usados para identificar entidades particulares, não conceitos [14].

Formalmente, “um conceito é uma integração mental de duas ou mais unidades possuindo as mesmas características diferenciadoras, com suas medidas específicas omitidas” [15]. As unidades que são integradas no conceito são similares, entendendo-se por “similaridade” a relação que duas ou mais unidades têm entre si quando elas possuem as mesmas características mas em diferente medida ou grau [16].

Novos conceitos são formados pela integração, em categorias mais amplas, de conceitos anteriormente formados [17].

Pode haver conceitos de entidades (coisas), de atributos (características ou qualidades de entidades), de relações (entre entidades), de ações, etc. [18].

“Tanto quanto pode ser determinado, o nível perceptual da consciência (awareness) de uma criança é semelhante à consciência (awareness) dos animais mais elevados: esses animais são capazes de perceber entidades, moções, atributos e certos números de entidades. Mas o que um animal não pode realizar é o processo de abstração, o processo de mentalmente separar de entidades os atributos, moções ou números. Tem-se dito que um animal pode perceber duas laranjas ou duas batatas, mas não pode formar o conceito ‘dois'” [19].

“A consciência do homem compartilha com os animais os dois primeiros estágios de seu desenvolvimento [cognitivo]: sensações e percepções; mas é o terceiro estágio, concepções, que diferencia e caracteriza o homem. Sensações são integradas em percepções automaticamente, pelo cérebro do homem e do animal. Mas integrar percepções em concepções, por um processo de abstração, é um feito que apenas o homem consegue realizar – mas ele tem que realizá-lo por escolha. O processo de abstração, e de formação de conceito, é um processo da razão, do pensamento; não é automático, nem instintivo, nem involuntário, nem infalível. O homem tem que iniciá-lo, sustentá-lo, e assumir responsabilidade pelos seus resultados” [20].

Da mesma forma que o homem conhece a realidade exterior através da percepção, ele pode conhecer sua própria consciência formando conceitos acerca dos vários modos em que sua consciência atua:

“Para formar conceitos da consciência (consciousness) é preciso isolar a ação [mental] do conteúdo de um dado estado de consciência, através de um processo de abstração. Da mesma forma que, extrospectivamente, o homem pode abstrair atributos de entidades, também, introspectivamente, ele pode abstrair as ações de sua consciência de seus conteúdos, e observar as diferenças entre essas várias ações. Por exemplo (no nível do adulto), quando um homem vê uma mulher andando na rua, a ação de sua consciência é percepção; quando ele nota que ela é bela, a ação de sua consciência é avaliação; quando ele experimente um estado interior de prazer e aprovação, de admiração, a ação de sua consciência é emoção; quando ele pára para observá-la aí tira conclusões, a partir da evidência, sobre seu caráter, sua idade, sua posição social, etc., a ação de sua consciência é pensamento; quando, mais tarde, ele relembra o incidente, a ação de sua consciência é reminiscência; quando ele projeta que sua aparência ficaria melhorada se seu cabelo fosse loiro e não castanho, e seu vestido fosse azul em vez de vermelho, a ação de sua consciência é imaginação” [21].

No reino da introspecção, as unidades que são integradas para formar um determinado conceito são instâncias específicas de um dado processo psicológico [22]. A definição formal de um conceito referente à consciência é, portanto: “Um conceito referente à consciência é uma integração mental de duas ou mais instâncias de processos psicológicos possuindo as mesmas características diferenciadoras” [23].

“‘Sabemos que nada sabemos’, eles tagarelam, tentando ignorar o fato de que estão reivindicando conhecimento” [24].

Leonard Peikoff diz:

“O ceticismo cruzadístico da era moderna; o crescente ataque sobre absolutos, certeza, a própria razão; a insistência de que convicções firmes são uma doença e que o compromisso (compromise) em qualquer disputa é o único recurso – tudo isso, numa parcela significativa, é decorrência da abordagem básica de Descartes à filosofia. … Observe que Descartes começa seu sistema usando ‘erro’ e seus derivativos como ‘conceitos roubados’. Os homens podem estar errados, e, portanto, ele conclui, eles nunca podem conhecer o que é certo. Mas se eles não podem, como é que eles jamais descobriram que esrtavam errados? Como é que alguém pode formar o conceito de ‘erro’ sendo totalmente ignorante do que é correto? ‘Erro’ significa um distanciamento da verdade. O conceito de ‘erro’ logicamente pressupõe que alguém já apreendeu alguma verdade. Se a verdade fosse incognoscível, como Descartes dá a entender, a idéia de distanciamento dela seria sem sentido. … A falibilidade não torna o conhecimento impossível. É o conhecimento que torna possível descobrir a falibilidade” [25].

Como tudo o mais que existe, a consciência do homem tem uma natureza, tem uma identidade. Os homens reconhecem, sem maior dificuldade, que seu corpo, e mesmo as várias partes do seu corpo, têm naturezas ou identidades próprias, que determinam a forma em que são tratados. Conseqüentemente, escovam seus dentes, cortam suas unhas e seus cabelos, não tomam regularmente veneno, etc., porque a natureza de seus dentes, de suas unhas, de seus cabelos, de seus estômagos, exige esses cuidados. Contudo, não percebem que sua consciência também tem natureza e identidade própria, e portanto acreditam que sua consciência pode “engolir” qualquer coisa – ou pelo menos assim parece, até que são forçados a deitar, em agonia, no divã de um psicólogo [26].

Da mesma forma que “a natureza, para ser comandada, precisa ser obedecida”, a consciência, para ser apreendida e conhecida também tem que ser obedecida: as regras da cognição devem respeitar a natureza da realidade e da consciência [27].

É isso que é objetividade:

“A objetividade começa com a percepção (realization) de que o homem (incluindo todos os seus atributos e faculdades, mesmo sua consciência) é uma entidade de uma natureza específica e que precisa agir conformemente; que não há forma de escapar da lei de identidade, nem no universo com o qual ele lida nem nas operações de sua própria consciência; que se ele pretende adquirir conhecimento daquele, ele precisa primeiro descobrir o meio apropriado de utilizar esta; que não há espaço para o arbitrário na atividade do homem, menos de tudo em seu método de cognição; que assim como ele teve que atentar para critérios objetivos ao construir suas ferramentas físicas, tem, da mesma forma, que atentar para eles ao formar suas ferramentas de cognição: seus conceitos” [28].

Aquele que Ayn Rand chama de “místico” é o que se recusa a acreditar que a consciência, como todo existente, possui uma natureza, uma identidade, que funciona de certa maneira e não de outras [29].

A faculdade que dirige o processo de cognição é a razão; o processo, é o pensamento [30].

5. A Ética

A. O Conceito de Moralidade

A moralidade é um código de valores que guia as escolhas, decisões e ações dos homens, e, assim, determina o propósito e o curso de sua vida. É um código através do qual ele julga o que é certo ou errado, bom ou mal [31].

B. Moralidade e Valores

Mas, visto que a moralidade é um código de valores, cabe perguntar o que é um valor. Um valor, afirma Rand, é aquilo que alguém age para ganhar ou manter.

É importante distinguir aqui que, nesta definição inicial, Rand caracteriza aquilo que em realidade (de facto) tem valor para uma pessoa, não aquilo que deve (de jure) ter valor.

Um “valor supremo” (ou “valor último”), para uma pessoa, é aquele valor para o qual todos os outros valores são meios. Na verdade, é a existência de um valor supremo, que é, necessariamente, um fim em si mesmo, que permite que os meios de alcançá-lo se tornem valores (intermediários). “É apenas um alvo último, um fim em si mesmo, que torna a existência de valores possível” [32].

A noção de valor, assim conceituada, pressupõe que exista alguém que possa agir para ganhar ou manter alguma coisa, ou seja, que existam seres que possam se comportar de forma a atingir um alvo, uma meta [33].

Essa noção de valor pressupõe, também, que esse ser confronte alternativas, que existam várias e diferentes coisas que ele pode desejar ganhar ou manter [34].

Apenas seres vivos podem ter valores, pois somente eles, na natureza, podem agir para alcançar alvos e metas, e somente eles são confrontados por alternativas. (Conseqüentemente, dos seres vivos apenas o homem pode ter código de valores, moralidade e ética.)

A primeira questão que se levanta em relação a um código de valores diz respeito à razão pela qual seres humanos precisam de um código de valores [35].

Na verdade, os seres vivos precisam, antes de tudo mais, agir para manter suas vidas, visto que podem morrer, deixar de existir. A matéria não cessa de existir – ela apenas se transforma. Mas a vida termina: ela só é mantida através de um processo de ação que a gera e sustenta. Apenas seres vivos, portanto, são confrontados com a mais genuína de todas as decisões: a de continuar vivendo ou perecer, a da existência e da não-existência.

O valor último de qualquer organismo é, portanto, sua própria vida. Sem ela não há nenhum outro valor. Tudo o mais que tem valor para um organismo, tem valor intermediário, derivativo. O valor último, o fim em si mesmo, é a manutenção da vida, porque sem ela nada mais existe para o organismo, nada mais pode lhe ter valor. A vida é, portanto, o padrão de valor [36]: aquilo que contribui (como meio) para sua manutenção, tem valor (intermediário, subsidiário).

A vida de um organismo depende, do ponto de vista material, de haver suficiente combustível (alimentação) para que ela sobreviva, mas depende, também, do ponto de vista do organismo, de ele tomar as ações necessárias para fazer uso appropriado desse combustível.

Em relação a muitos organismos, esse processo é mais ou menos automático: as ações necessárias para se apropriarem do combustível necessário à manutenção de sua vida são tomadas de maneira instintiva, mais ou menos automática [37].

No caso de seres humanos, porém, esse automatismo é não-existente. “O homem nasce nu e desarmado, sem presas, garras, chifres ou conhecimento ‘instintivo'” [38]. O homem não toma, automática ou instintivamente, as ações necessárias para sobreviver: ele tem que escolher como agir, ele tem que conscientemente decidir. Se não fizer isso, morre. É isso o que Rand quer dizer quando afirma que o homem é um ser de “consciência volicional”: o homem, para sobreviver, tem que conscientemente decidir quais ações tomar para sobreviver.

Por causa disso, porque o homem é um ser de consciência volicional, porque ele precisa conscientemente decidir como agir para poder sobreviver, o homem precisa de um código de valores para orientá-lo em suas decisões. O homem tem que escolher um padrão de valor. A escolha racional aponta na direção de um padrão e um código de valores que geram e sustentam sua vida. Uma escolha irracional o levará a um código de valores que impede ou mesmo destrói a vida. E ele pode decidir não escolher o padrão objetivo: a vida. Nesse caso, suas ações levarão (eventualmente) … à sua destruição. Diz Rand:

“Vida ou morte é a única alternativa fundamental do homem. Viver é seu ato básico de escolha. Se ele escolhe viver, uma ética racional lhe dirá que princípios de ação são necessários para implementar sua escolha. Se ele não escolhe viver, a natureza se encarrega” [39].

Isso quer dizer que embora valores se apliquem a todos os seres vivos, a moralidade se aplica tão-somente ao homem – embora se aplique a todos os aspectos de sua vida: suas ações, seu caráter, sua relação com o restante da realidade [40].

C. Valores, Ética e Razão

A ética é a ciência que leva à definição desse código de valores [41].

Mas como é que se define esse código de valores?

Para que possa elaborar um código de valores que guie a sua conduta, ou seja, para que possa definir uma moralidade, o homem precisa conhecer a natureza do mundo que o cerca e a natureza de seus meios de cognição: isto é, ele precisa responder às questões colocadas pela metafísica e pela epistemologia, pois doutra forma não poder  saber o que fazer [42].

“A relação entre razão e moralidade é recíproca. O homem que aceita o papel de um animal sacrificial não obterá a auto-confiança necessária para sustentar a validade de sua mente. O homem que duvida da validade de sua mente não alcançará a auto-estima necessária para sustentar o valor de sua pessoa e descobrir as premissas morais que tornam possível o valor do homem” [43].

E o instrumento de cognição do homem é sua razão: é através dela que ele integra os elementos da percepção e assim vem a conhecer o mundo que o cerca.

“Na medida em que um homem é racional, vida é a premissa que dá direção às suas ações; na medida em que ele é irracional, a premissa que direciona suas ações é a morte” [44].

Isso significa que a ética não está fundamentada, como acreditam muitos filósofos, no sentimento, nas emoções, ou na intuição, nos costumes sociais, tampouco na noção de dever. Ela está fundamentada na razão [45]. Significa, além do mais, que a moralidade não é algo imposto sobre o homem porque ele vive em sociedade:

“Vocês que alardeiam que a moralidade é social, afirmam que o homem não precisaria da moralidade em uma ilha deserta. É numa ilha deserta que ele mais precisaria dela! Deixe que ele pretenda, em um tal lugar, quando não há nenhuma vítima que ele possa espoliar, que rocha é casa, que areia é vestimenta, que alimento vai cair em sua boca sem causa e esforço, que ele vai ter uma colheita amanhã devorando seu estoque de sementes hoje – e a realidade o varrerá da face da terra, como ele merece. A realidade lhe mostrará que a vida é um valor a ser comprado, e que o pensamento é a única moeda suficientemente nobre para adquiri-lo” [46].

Dois problemas:

Vida é o padrão objetivo de valor. No entanto, não é qualquer tipo de vida: é vida racional (King, pp.106-7)

“Tudo o que é próprio à vida de um ser racional é o bem; tudo aquilo que a destrói é o mal” [47].

“Há, em essência, três escolas de pensamento sobre o natureza do bem, a saber, as que vêem o bem como, respectivamente, intrínseco, subjetivo, e objetivo. A teoria do bem intrínseco mantém que o bem é inerente a certas coisas ou ações, enquanto tais, irrespectivamente de seu contexto e de suas conseqüências, independentemente do benefício ou injúria que possam causar aos atores e sujeitos envolvidos. … A teoria do bem subjetivo mantém que o bem não tem relação com os fatos da realidade, que ele é o produto da consciência do homem, criado por seus sentimentos, desejos, ‘intuições’, caprichos … A primeira dessas duas teorias mantém que o bem reside em alguma forma da realidade, independente da consciência do homem; a segunda, que o bem reside na consciência do homem, independente da realidade. A teoria do bem objetivo, por sua vez, mantém que o bem não é nem um atributo das ‘coisas em si mesmas’ nem dos estados emocionais do homem, mas uma avaliação dos fatos da realidade segundo um padrão racional de valor. (Racional, neste contexto, quer dizer: derivado dos fatos da realidade e validado por um processo racional; cp.Lexicon,218). A teoria objetiva mantém que o bem é um aspecto da realidade em relação ao homem – e o bem tem que ser descoberto, não inventado, pelo homem” [48].

O homem pode não escolher esse padrão — em cujo caso sua moralidade é uma moralidade de morte.

6. A Filosofia Política

“No espaço da duração de uma vida humana, duas guerras mundiais devastaram o mundo civilizado inteiro; duas ditaduras de grande porte, na Rússia e na Alemanha, cometeram tais atrocidades que a maior parte dos homens é incapaz de plenamente acreditar no que aconteceu; e o sangrento aumento do mando (rule) pela força bruta está se espalhando pelo mundo inteiro. Algo obviamente está errado com as idéias políticas da humanidade, e esse fato está a exigir atenção. Declarar, nessas circunstâncias, que política não é preocupação da filosofia é uma omissão tão indizível que pode ser comparada apenas à postura de um médico que declarasse, em meio a uma epidemia de peste bubônica, que saúde ou doença não é preocupação da medicina” [49].

Para viver o homem precisa de alimento, de abrigo. Essas coisas não crescem em árvores: elas exigem pensamento e trabalho produtivo.

“A característica essencial do homem é sua faculdade racional. A mente do homem é seu meio básico de sobrevivência – seu único meio de obter conhecimento. … Para sustentar a vida, todo espécie viva tem que seguir um certo curso de ação exigido pela sua natureza. A ação requerida para sustentar a vida humana é primariamente intelectual: tudo o que o homem precisa tem que ser descoberto pela sua mente e produzido pelo seu esforço. A produção é a aplicação da razão ao problema da sobrevivência” [50].

Pensamento:

“Visto que conhecimento, pensamento e ação racional são propriedades do indivíduo, visto que a escolha de exercer ou não sua faculdade racional depende do indivíduo, a sobrevivência do homem exige que aqueles que pensam sejam livres da interferência daqueles que não pensam. Visto que os homens não são nem oniscientes nem infalíveis, eles precisam ser livres para concordar e discordar, para cooperar ou seguir seu próprio curso independente, cada qual segundo o seu próprio julgamento racional. Liberdade é a exigência fundamental da mente humana” [51].

“Trabalho produtivo é o propósito central da vida de um homem racional, o valor central que integra e determina a hierarquia de todos os seus outros valores” [52].

Se alguém não trabalha, terá que viver do trabalho do outro. Para ser incentivado a trabalhar (além do mínimo indispensável à sua própria sobrevivência), o homem precisa ter a garantia de que o produto de seu trabalho será seu, não lhe será tirado, confiscado, roubado.

Para viver o homem precisa ter liberdade.

“Liberdade intelectual não pode existir sem liberdade política; liberdade política não pode existir sem liberdade econômica; uma mente livre e um mercado livre são corolários” [53].

7. A Visão da Economia

“O capitalismo exige o melhor de cada homem – sua racionalidade – e o recompensa em função do que ele dá. Ele deixa cada homem livre para escolher o trabalho de que gosta, para se especializar nele, para trocar seu produto pelos produtos dos outros, e para ir tão longe no caminho da realização quanto sua habilidade e sua ambição o levarem. Seu sucesso depende do valor objetivo de seu trabalho e da racionalidade daqueles que reconhecem aquele valor. Quando os homens são livres para trocar, com a razão e a realidade como seu único árbitro, quando nenhum homem puder usar a força física para extrair o consentimento de um outro, é o melhor produto e o melhor julgamento que ganharão em qualquer campo de empreendimento humano, e elevarão o  padrão de vida – e de pensamento –  cada vez mais alto para aqueles que participam da atividade produtiva da humanidade” [54].

No início se disse que a justificativa do capitalismo não é pragmática, mas, sim, moral.

“A justificativa moral do capitalismo é o direito do homem de viver para si mesmo (“for his own sake”), não se sacrificando pelos outros nem sacrificando os outros por si próprio; é o reconhecimento de que o homem – cada homem e todo homem – é um fim em si próprio, e não um meio para satisfazer as necessidades dos outros, não um animal sacrificial usado para satisfazer às necessidades de qualquer um” [55].

O juramento básico da sociedade randiana será: “Juro pela minha vida, e pelo amor que tenha a ela, que nunca viverei por amor a um outro homem (for the sake of another man), e que nunca pedirei que outro homem viva por amor a mim” [56].

“Cada homem é livre para tentar chegar até onde pode ou deseja chegar, mas é sua capacidade de pensar que determina até onde ele vai chegar. O valor do trabalho físico, como tal, não se estende além do momento em que é realizado. O homem que realiza apenas trabalho físico consome o valor material correspondente à sua contribuição ao processo de produção, e não deixa nenhum valor residual, nem para si, nem para os outros. Mas o homem que produz uma idéia em qualquer área de atividade racional – o homem que descobre novos conhecimentos – é o benfeitor permanente da humanidade. Produtos materiais não podem ser compartilhados – eles pertencem ao seu consumidor final. Apenas o valor de uma idéia pode ser compartilhado com um número ilimitado de pessoas, fazendo com que todos os que compartilham se tornem mais ricos, sem que ninguém se sacrifique ou perca. É o valor de seu próprio tempo que os intelectualmente fortes transferem aos fracos, deixando que estes trabalhem em empregos que aqueles tornaram possível, enquanto eles continuam a dedicar seu tempo a novas descobertas. Esta é uma permuta legítima que traz vantagens para ambos os lados. Os interesses da mente são unos, não importa o grau de inteligência envolvido, entre os homens que desejam trabalhar e não buscam nem esperam aquilo a que não fazem jus.

Em proporção à energia mental que ele usou, o homem que inventa alguma coisa recebe, como compensação material pelo seu trabalho, apenas um percentual pequeno do valor que gerou, não importa quão rico fique, nem quantos milhões ganhe. Mas o homem que trabalha como faxineiro na fábrica que produz os bens que aquela invenção tornou possível recebe um pagamento enorme em proporção ao esforço mental que aquele trabalho exige dele. E o mesmo vale para todos os homens entre esses dois extremos, não importa qual seja o nível de sua ambição ou habilidade. O homem no topo da pirâmide intelectual contribui o máximo para todos aqueles abaixo dele, mas nada recebe deles, exceto uma pequena retribruição material, pois não recebe deles nenhum bônus que possa acrescentar alguma coisa ao valor de seu tempo. O homem na parte inferior da pirâmide, entretanto, deixado à sua própria sorte, morreria de fome em sua desesperançada incapacidade (“ineptitude”), pois nada contribui para aqueles acima dele mas recebe o bônus de toda a habilidade intelectual destes. Esta é a natureza da ‘competição’ entre os intelectualmente fortes e os intelectualmente fracos. É essa a ‘exploração’ da qual se acusam os fortes” [57].

8. A Estética

“A arte é uma recriação seletiva da realidade de acordo com os juízos metafísicos de valor do artista. A finalidade da arte é concretizar a visão que o artista tem da existência. . . . Sou uma Romântica no sentido de apresento o homem como ele deveria ser. Sou uma Realista no sentido de que o coloco aqui e agora neste mundo”.

A tese de Mário Vargas Llosa, de que a ficção é a nossa tentativa de reconstruir a realidade como nós acreditamos que ela deveria ter sido, de certo modo ecoa essa visão randiana do papel da literatura.

NOTAS DE RODAPÉ

  1. Ayn Rand, “The Metaphysical and the Man-Made” (1973), in Philosophy: Who Needs It? (New American Library, New York, 1982; volume 1 of The Ayn Rand Library, editada por Leonard Peikoff), p.23, daqui em diante mencionado como PWNI.
  2. Ayn Rand, “Brief Summary”, in The Objectivist, September 1971, p.1089 (último número); Cf. também a Introdução de Leonard Peikoff a PWNI, p.vii.
  3. Ayn Rand, “Don’t Let it Go”, in PWNI, p.214 (penúltimo parágrafo do livro).
  4. Ayn Rand, “The Chicken’s Homecoming”, in The New Left: the Anti-Industrial Revolution (New American Library, Signet Books, New York, Edição Revista, 1965, 1975), p.107, daqui em diante mencionado como NL. Cf. “Philosophy: Who Needs It”, in PWNI, p. 2: “A filosofia estuda a natureza fundamental da existência [realidade; daquilo que existe], do homem e de sua relação com a realidade. Em contraposição às ciências especiais, que lidam com aspectos particulares daquilo que existe, a filosofia lida com aqueles aspectos da realidade que dizem respeito a tudo que existe”. Cf. também Leonard Peikoff, Objectivism, The Philosophy of Ayn Rand (Dutton, New York, 1991), p. 2: “Filosofia é a ciência que guia a faculdade conceptual do homem e tudo o mais que depende dessa faculdade”.
  5. Ayn Rand, “Kant Versus Sullivan”, in PWNI, p.90; Cf. The Ayn Rand Lexicon: Objectivism from A to Z, editado por Harry Biswanger (New American Library, New York, 1986; volume 4 of The Ayn Rand Library, editada por Leonard Peikoff), p.355. Daqui em diante este livro será mencionado simplesmente como “Lexikon”.
  6. A língua inglesa tem várias palavras que são de difícil tradução por palavras diferentes em português. Tem “consciousness” e tem “awareness”, para não mencionar “conscience”, palavras que podem ser traduzidas por “consciência” em português. Deixando de lado “conscience”, que é mais utilizada em contextos morais (em correspondência ao alemão “Gewissen”), ficamos ainda com “consciousness” e “awareness”, que acabei traduzindo pela mesma palavra “consciência” (em correspondência com o alemão “Bewusstsein”), mas indicando em parênteses, sempre que necessário, qual o termo no original inglês. Faço isso, apesar de Ayn Rand usar as duas palavras como sinônimos, como reconhece Harry Biswanger, quando, no verbete “Awareness”, remete o leitor para o verbete “Consciousness”, in The Ayn Rand Lexicon: Objectivism from A to Z (op.cit.), p.43.
  7. Ayn Rand, Atlas Shrugged (***), “O Discurso de Galt”, p.***, daqui em diante mencionado como AS. “O Discurso de Galt” foi reimpresso em For the New Intellectual (New American Library, Signet Books, New York, 1961), p.124. Daqui em diante esse livro vai ser mencionado apenas como FNI.
  8. Ayn Rand, Introduction to Objectivist Epistemology (New American Library, Mentor Books, New York, 1966, 1967), p.73, daqui em diante mencionado apenas como ITOE.
  9. Ayn Rand, ITOE, p.5.
  10. Ayn Rand, ITOE, p.5.
  11. Muitos podem estranhar esse neologismo, mas é um neologismo que faz sentido. Existem os verbos “conceber” e “perceber”. Aquilo que se concebe é um “conceito”; aquilo que se percebe é, eu sugiro, um “perceito”.
  12. Ayn Rand, ITOE, p.5.
  13. Ayn Rand, ITOE, p.11.
  14. Ayn Rand, ITOE, pp.11-12.
  15. Ayn Rand, ITOE, p.15. Todo o texto em itálico no original.
  16. Ayn Rand, ITOE, pp.15-16.
  17. Ayn Rand, ITOE, p.18.
  18. Ayn Rand, ITOE, pp.11,18.
  19. Ayn Rand, ITOE, p.19.
  20. Ayn Rand, “For the New Intellectual”, in FNI, pp.14-15.
  21. Ayn Rand, ITOE, p.38. (Cp. Lexicon, p.94).
  22. Ayn Rand, ITOE, p.39. (Cp. Lexicon, p.95).
  23. Ayn Rand, ITOE, p.40. (Cp. Lexicon, p.86).
  24. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p.***; reimpresso em FNI, p.154.
  25. Leonard Peikoff, “Maybe You’re Wrong’, in The Objectivist Forum, April 1981, p.8.
  26. Ayn Rand, “Our Cultural Value-Deprivation”, in The Objectivist, April 1966, p. *** da edição reimpressa e encardernada. (Lexicon, p.93).
  27. Ayn Rand, ITOE, p.110. (Cp. Lexicon, pp.87,93-94).
  28. Ayn Rand, ITOE, p.110. (Cp. Lexicon, pp.86-87)
  29. Ayn Rand, ITOE, p.106. (Cp. Lexicon, p.94).
  30. Ayn Rand, “The Objectivist Ethics”, in The Virtue of Selfishness (Signet Books, New York, 1964), p.20, daqui em diante mencionado como VOS. (Lexicon, p.87).
  31. Cf. Ayn Rand, “The Objectivist Ethics”, in VOS, p.13. Cf. Ayn Rand, “Faith and Force: The Destroyers of the Modern World”, in PWNI, p.61; “For the New Intellectual”, in FNI, p.18. Cf. J. Charles King, “Life and the Theory of Value: The Randian Argument Reconsidered”, in The Philosophic Thought of Ayn Rand, editado por Douglas J. Den Uyl e Douglas B. Rasmussen (University of Illinois Press, Urbana e Chicago, 1986), p.103.
  32. Ayn Rand, “Objectivist Ethics”, in VOS, p.17.
  33. Para Ayn Rand, isso significa que o homem age sob a lei da causalidade – da causalidade final de que fala Aristóteles. “Para fazer as escolhas requeridas para a atinção de seus alvos, o homem precisa estar constante e permanentemente consciente (awareness) do princípio da causalidade – especificamente, da causa final Aristotélica (que é, de fato, aplicável apenas a seres humanos), i.e., do processo pelo qual um fim determina os meios, i.e., do processo de escolher um alvo e tomar as ações necessárias para alcançá-lo”; “Causality Versus Duty”, in PWNI, p.99.
  34. Ayn Rand colocou essa questão da seguinte forma, em sua entrevista a Playboy: “A moralidade tem lugar somente na esfera da liberdade humana, somente quando se trata de ações que estão abertas à escolha do homem” (panfleto, p.4). Cf. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p. ***; reimpresso em FNI, p.136: “Um pecado sem volição é . . . uma insolente contradição de termos: aquilo que está fora da possibilidade de escolha está fora da província da moralidade”.
  35. Ayn Rand, “Objectivist Ethics”, in VOS, p.13.
  36. “Um ‘padrão’ é um princípio abstrato que serve como medida, como indicador (gauge) ou guia das escolhas de um homem na consecução de um propósito concreto, específico”; Ayn Rand, “Objectivist Ethics”, in  VOS, p.25. Outros padrões de valor que têm sido propostos para a ética são “a vontade de Deus”, “o bem da sociedade”, etc. Cf. pp.14 e 34 do mesmo artigo.
  37. “Um instinto de auto-preservação é precisamente o que o homem não possui. Um ‘instinto’ é uma forma inerrante e automática de conhecimento”; Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p.*** ; reimpresso em FNI, p.121.
  38. Ayn Rand, “The Anti-Industrial Revolution”, in NL, p.136.
  39. Ayn Rand, “Causality versus Duty”, in PWNI, p.99.
  40. Cf. Ayn Rand, “Philosophy: Who Needs It?”, in PWNI, p.3.
  41. Ayn Rand, “Objectivist Ethics”, in VOS, p.13.
  42. Cf. Ayn Rand, “Philosophy: Who Needs It?”, in PWNI, p.3.
  43. Ayn Rand, “For the New Intellectual”, in FNI, pp.37-38.
  44. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p.***; reimpresso em FNI, p.127.
  45. Esta idéia é anátema na filosofia contemporânea. Mesmo um filósofo que a muitos pode parecer extremamente racional, como Bertrand Russell, se viu forçado a admitir, ao final de sua longa vida (mais de 90 anos), que, por mais que detestasse essa conclusão, a única coisa que ele conseguia encontrar de errado em Hitler e no Nazismo (bem como em outras coisas que ele condenava) é que eles fizeram coisas de que ele não gostava, que feriam aos seus sentimentos, à sua sensibilidade. Outros, admitia ele, poderiam ter gostos diferentes, sentimentos e sensibilidade mais resistentes…
  46. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p.(***); reimpresso em FNI, p.127.
  47. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p.(***); reimpresso em FNI, p.122.
  48. Ayn Rand, “What is Capitalism?”, in Capitalism: the Unknown Ideal (New American Library, Signet Books, New York, 1946, 1967), pp.21-22, daqui em diante mencionado como CUI.
  49. Ayn Rand, “The Chicken’s Homecoming”, in NL, pp.108-109.
  50. Ayn Rand, “What is Capitalism?”, in CUI, p.16.
  51. Ayn Rand, “What is Capitalism?”, in CUI,p.17.
  52. Ayn Rand, “Objectivist Ethics”,  in VOS, p.25.
  53. Ayn Rand, “For the New Intellectual”, in FNI, p.25.
  54. Ayn Rand, “For the New Intellectual”, in FNI, p.25-26.
  55. Ayn Rand, “Faith and Force”, in PWNI, p.67.
  56. Ayn Rand, AS, p. 680; cp. p.993, neste caso em “O Discurso de Galt”.
  57. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, pp.988-989.

© Copyright by Eduardo Chaves

Transcrito em Salto, 8 de Junho de 2016

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