Site Antigo – Texto Corrido das 17 Páginas

Este era o meu site antigo dedicado às ideias de Ayn Rand, que existiu por 15 anos, de 1992 a 2007. Esta versão passou a existir a partir de Janeiro de 2005. Era hospedado no site http://aynrand.com.br. A primeira página, que aparecia na “Home Page”, faz referência ao fato de que em 2 de Fevereiro de 2005 estaríamos comemorando o centenário do nascimento de Ayn Rand. Essa página, portanto, e as que compõem o restante do site, estão datadas de mais de onze anos. O site, em si, foi criado bem antes, com uma estrutura mais simples, que foi se tornando mais complexa com o tempo, entre 1992 e 2005. Em 2007 eu o tirei do ar por uma série de razões, a principal das quais foi falta de tempo, relacionada ao fato que, tendo me aposentado, fui trabalhar no Governo do Estado de São Paulo por um tempo (como Secretário Adjunto de Ensino Superior, na gestão José Serra) e, depois, no Instituto Lumiar (hoje Fundação Ralston-Semler), como seu Presidente. Além disso, fui forçado a mudar de provedor, e, para manter os meus mais de vinte sites (naquela época) no ar teria de mudar milhares de arquivos de um site para o outro – e não tinha tempo.

Outra razão que afetou o redirecionamento de minhas atividades. Em 2004 me tornei um blogueiro. Comecei o meu blog Liberal Space em 4 de Dezembro daquele ano, instigado por minha amiga Márcia Teixeira, à época Gerente Senior da Área da Educação no Brasil da Microsoft Corporation. A Microsoft lançou naqueles dias um portal de blogs, chamado Microsoft Spaces, que achei fácil de usar. Resolvi, então, me aventurar. Deu certo. Aquele blog criado no finzinho de 2004 já tem mais de mil artigos — e gerou mais de trinta filhotes, dos quais o atual blog Ayn Rand Space é um deles.

Mas me atropelo e passo na frente de mim mesmo…

De 2007 para cá guardei os arquivos dos mais de vinte sites que eu tinha, inclusive os que aqui são apresentados, em backups localizados em um dos mais de 30 discos rígidos externos (USB) que tenho. Guardar é fácil. Encontrar o que foi guardado é o que é difícil.

Finalmente, em 7 de Junho de 2016, num lance de sorte, consegui localizar os benditos arquivos antigos que geravam o site. Reconstituí o site antigo aqui no meu MacBook Air, fiz printscreens das telas, e produzi essa obra histórica composta de quase vinte posts que começam com as palavras “Site Antigo”.

Tudo que está abaixo já foi publicado nos posts Site Antigo de 1 a 17. Aqui o conteúdo das dezessete páginas que o site de 1992-2007 possuía aparecem no formato de texto corrido, para facilitar a leitura dos corajosos que se aventurarem a ler o site inteiro.

Considero esta iniciativa minha de disponibilizar material que, apesar de ainda relevante, está desatualizado de mais de dez anos, uma contribuição para a história do renascimento do Liberalismo Clássico no Brasil, renascimento esse pelo qual, talvez, devamos ser gratos ao total desastre que foram esses últimos treze anos e meio de desgoverno socialista-bolivariano do PT. Ayn Rand foi parte integrante do renascimento do Liberalismo Clássico nos Estados Unidos e na Inglaterra. Nos Estados Unidos, ele veio através de Ronald Reagan, que gerenciou uma aliança das forças liberais clássicas com o Conservadorismo da direita religiosa. No Brasil ainda não sabemos qual a face que o Liberalismo Clássico vai ter nesse renascimento. Algumas pessoas que têm ajudado nesse renascimento, como Rodrigo Constantino e Reinaldo Azevedo, têm um perfil cultural e religiosamente conservador – que não se casa bem com as ideias de Ayn Rand. Por isso, nos Estados Unidos, ela viveu às turras com o Partido Republicano. Mas ela viveu às turras também com os Libertários, como Murray N. Rothbard, a quem eu muito admiro.

Admiro as ideias de Ayn Rand enormemente, mas pela personalidade dela não tenho nenhuma simpatia, em especial pela sua intolerância, exagerada beligerância, e ranhetice. Não gosto Leonard Peikoff, o herdeiro oficial dela, por tentar exibir as mesmas características, e o que é pior, sem ser  ela. Sigo muito mais a linha de David Kelley, que fundou o Institute of Objetivist Studies (IOS) em 1990 para resistir ao Ayn Rand Institute (ARI) dirigido por Peikoff. Posteriormente o IOS virou a Atlas Society (AS), que declara sua forma de uma maneira que faz por merecer o meu endosso total. Eis o que diz a AS:

Some twenty-five years ago, on February 24, 1990, George Walsh and David Kelley stood before a crowded lecture hall in New York City to announce the birth of the Institute for Objectivist Studies, now named The Atlas Society.

As the late Professor Walsh pointed out in introducing Dr. Kelley’s talk that evening, this was the first time in the history of Objectivist excommunications that the heretics did not simply walk away. Rather, it signaled the beginning of a new, independent, and open Objectivist movement, one that appreciates the fact that individuals must come to the truth in their own way and that takes a tolerant, rational attitude toward intellectual debate.

Since that day, we have worked to eliminate from Objectivism the closed and dogmatic attitudes that had kept it from spreading its life-affirming message. In addition to the achievements of our organization over the past two decades, it is gratifying to see the many other initiatives—groups, websites, and publications—that have enriched this new movement.

[http://atlassociety.org/about-us/the-objectivist-movement/the-founding-of-the-atlas-society]

É isso… Enjoy.

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Este o texto da primeira página, de Apresentação, que aparecia junto com a Home Page.

Apresentação

Em 2 de Fevereiro de 2005 estaremos comemorando o centenário de Ayn Rand.

Ayn Rand, cujo nome real era Alissa Z. Rosenbaum, é uma das maiores filósofas do século XX – embora tenha optado por divulgar sua filosofia, inicialmente, através de obras de ficção.

Este é o primeiro site brasileiro dedicado exclusivamente a divulgar as idéias de Ayn Rand. A ênfase será nas idéias de Ayn Rand, não na sua pessoa, embora sejam apresentados fatos de sua vida, à medida que possam lançar luz sobre suas idéias. (Os mais interessados em fatos sobre sua pessoa podem consultar os dados biográficos fornecidos por The Ayn Rand Institute).

Quatro das obras literárias de Ayn Rand — Atlas Shrugged (1957; em Português: Quem é John Galt?), The Fountainhead (1943; em Português: A Nascente), We the Living (inédito no Brasil) eAnthem (inédito no Brasil) — foram colocadas, pelos leitores da editora Random House (que publica a série Modern Library), entre os dez melhores livros do século, com Atlas Shrugged ficando em primeiro lugar, The Fountainhead em segundo e os outros dois livros em sétimo e oitavo lugar (Anthem em sétimo e We the Living em oitavo). [Vide a Lista completa].

Sua visão da ficção, que apela a tantos leitores numa época em que os principais personagens de ficção são anti-heróis, é a seguinte:

“A arte é uma recriação seletiva da realidade de acordo com os juizos metafísicos de valor do artista. A finalidade da arte é concretizar a visão que o artista tem da existência. . . . Sou uma Romântica no sentido de apresento o homem como ele deveria ser. Sou uma Realista no sentido de que o coloco aqui e agora neste mundo”.

(A tese de Mário Vargas Llosa de que “a ficção é a nossa tentativa de reconstruir a realidade como nós acreditamos que ela deveria ter sido” de certo modo ecoa essa visão randiana do papel da literatura).

Se você quiser ter uma idéia da natureza da ficção randiana, leia, aqui, um trecho de Atlas Shrugged, onde se descreve o que acontece quando uma sociedade resolve viver segundo a máxima “De cada um, conforme sua habilidade, a cada um, conforme sua necessidade”.

Depois do enorme sucesso de seu opus magnum, Atlas Shrugged, Ayn Rand resolveu se dedicar à filosofia de forma mais sistemática. Publicou vários ensaios nas áreas de Epistemologia (Introduction to Objectivist Epistemology, inédito no Brasil – veja um artigo que escrevi, em inglês sobre um aspecto importante da epistemologia randiana, a formação de conceitos), Ética (The Virtue of Selfishness, em Português: A Virtude do Egoísmo – veja alguns trechos sobre ética aqui), Filosofia Política (Capitalism: The Unknown Ideal, inédito no Brasil), Estética (The Romantic Manifest, inédito no Brasil). O seu livro Philosophy: Who Needs It? (inédito no Brasil) é uma eloqüente defesa da filosofia como atividade racional e objetiva (donde o termo “Objetivismo”).

Se você quiser ter uma visão das idéias básicas da filosofia randiana, o Objetivismo, leia o resumo que fiz delas.

Eduardo Chaves
eduardo@chaves.com.br
Campinas, SP

Este site é de inteira responsabilidade de Eduardo Chaves, filósofo (Teoria do Conhecimento,  Filosofia Política e Filosofia da Educação) na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Maiores informações sobre ele, bem como acesso a seus outros sites, podem ser obtidos por meio do site http://chaves.com.br.

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Este o texto da segunda página, que era uma Celebração (em Inglês) dos cem anos do nascimento de Ayn Rand em 5/2/2005.

Ayn Rand: Uma Celebração

Roy A. Childs, Jr.

[Escrito por Roy A. Childs, Jr. (falecido) em Junho de 1986. Publicado no site http://www.laissezfairebooks.com em 29 de Julho de 2000. Republicado neste site, em português, mediante autorização de Laissez-Faire Books. Tradução para o português de Eduardo Chaves]

Quando ela morreu, em Março de 1982, Ayn Rand estava perto de comemorar 40 anos de luta ativa pelos ideais da razão, do individualismo e do liberalismo / capitalismo laissez-faire. Através de seus romances, e, mais tarde, de seus ensaios e de seus livros de não-ficção, ela foi capaz de se comunicar com, literalmente, milhões de leitores ao redor do mundo, e deixou um legado permanente para as gerações futuras. Para leitores, atuais e futuros, faço aqui um breve apanhado a obra única de Ayn Rand.

A Obra de Ficção

Quando Ayn Rand (então ainda Alice Rosenbaum) chegou aos Estados Unidos em meados da década de vinte, ela não sabia quase nada de inglês – e, entretanto, havia decidido que faria sua carreira como romancista.

Seu primeiro romance, We The Living (Nós os que Vivemos), ambientado na Rússia da juventude de Rand, foi publicado 50 anos atrás [1936]. Seu tema é o indivíduo versus o estado. O livro descreve o impacto da Revolução Russa sobre três seres humanos que exigem o direito de viver suas próprias vidas e buscar sua própria felicidade. Para muitos leitores We The Living parece o romance mais íntimo e pessoal de Ayn Rand, e ela observou mais de uma vez que o livro era a coisa mais próxima de uma autobiografia que ela jamais escreveria. [NT: Durante o Fascismo foi feito, clandestinamente, um filme baseado nesse livro, que estrelou Rossano Brazzi].

Rand começou a trabalhar em seu livro The Fountainhead (A Nascente) nos anos finais da década de trinta e o publicou em 1943, depois de ver o manuscrito rejeitado por doze editoras. The Fountainhead é uma defesa apaixonada do individualismo contra as “vidas de segunda mão” vividas pela maioria das pessoas. Este foi o primeiro livro de Rand a ser lido por pessoas em todas as partes do mundo. Ele continua a vender cerca de 100.000 cópias a cada ano, tocando o mais íntimo de cada nova geração.

É impossível fazer justiça ao último romance de Ayn Rand em espaço tão limitado. Atlas Shrugged (Quem é John Galt?) é o opus magnum de Rand, um romance de idéias de tirar o fôlego, que lançou uma ideologia e um movimento.

Não há melhor maneira de apreciar a excitação fantástica que se produziu com a publicação de Atlas Shrugged, as aparições públicas de Ayn Rand e a publicação de sua obra de não ficção, do que analisá-los em contexto. Os anos que se seguiram à publicação de Atlas Shrugged, em 1957, foram anos de fermento intelectual nos Estados Unidos.

Atlas Shrugged foi publicado no final dos Anos Eisenhower, numa época que Daniel Bell veio a designar como a em que se processava “O Fim da Ideologia,” assim indicando que, para ele, o debate sobre “princípios fundamentais” havia chegado ao fim. Pressupunha-se, então, que “progresso” era sinônimo de uma marcha gradual na direção do socialismo, pois o livre mercado, que se acreditava estar batendo em retirada, era visto mais e mais como algo passé.

Mas então chegou Ayn Rand.

Atlas Shrugged atingiu a sociedade americana como uma bomba. Publicado no final de 1957, recebeu resenhas devastadoras dos críticos. Mas o importante é que o livro foi lido, e a excitação dos que o leram ia se espalhando pela cultura à medida que milhares, depois dezenas de milhares, depois centenas de milhares, depois milhões, leram essa obra magna que demonstra a força das idéias. Questões que eram consideradas “resolvidas” foram reabertas para debate. Atlas Shrugged era de tirar o fôlego em seu escopo, mas o que chamava a atenção era o fato de que o livro era uma defesa moral do capitalismo. Robert Hessen colocou a questão de maneira perfeita, para o New York Times, depois da morte de Ayn Rand em 1982:

“Havia muitas defesas do capitalismo contra o socialismo quando Atlas Shrugged apareceu no final dos anos 50, mas elas eram, em sua maioria, ‘economia de banheira’: você sabe, o capitalismo é superior ao socialismo porque é mais eficiente e faz banheiras maiores e melhores do que as feitas na União Soviética. Ayn Rand forneceu uma defesa moral que teve um efeito eletrizante em pessoas que nunca haviam ouvido o capitalismo ser defendido a não ser com base no desenvolvimento tecnológico. Ayn Rand deixou claro que uma sociedade livre é também uma sociedade produtiva, mas que o que importa é a liberdade do indivíduo”.

Atlas Shrugged fez aparecer, instantaneamente, um grupo de seguidores de Ayn Rand – e a colocou, até o fim de sua vida, no epicentro de controvérsia. Ayn Rand começou a falar nos campus universitários e a encher, a ponto de transbordo, os auditórios em que dava suas conferências. Seu programa de rádio e suas aparições na televisão foram objeto de um dilúvio de cartas. Ela era um fenômeno!

Depois de Atlas

Não há melhor maneira de mensurar avaliar sua influência do que ler, depois de A Paixão de Ayn Rand, os três volumes de newsletters que ela publicou nos anos 60 e 70: The Objectivist NewsletterThe Objectivist, e The Ayn Rand Letter.

Depois de Atlas Shrugged Ayn Rand não publicou mais nenhuma obra de ficção. Nem mesmo ela poderia ultrapassar o feito de Atlas. Ela decidiu, a partir daí, a espalhar sua influência de outras formas. Ela começou como romancista e se tornou uma pensadora e filósofa séria, que veio a grangear um grupo significativo de seguidores no mundo inteiro.

Começou em 1958 (ano seguinte ao da publicação de Atlas), quando dois associados de Ayn Rand, Nathaniel e Barbara Branden, resolveram criar o Nathaniel Branden Institute, chamado simplesmente de NBI. Eles davam cursos para aqueles que admiravam a obra de Ayn Rand. O primeiro curso – “The Basic Principles of Objectivism” [Os Princípios Básicos do Objetivismo] – foi dado a um punhado de alunos em New York, mas em poucos anos milhares de pessoas os estavam assistindo ou ouvido em fita (áudio). Ayn Rand começou a fazer conferências em importantes universidades para multidões que extravasavam os limites dos auditórios.

Ayn Rand se tornou a nascente [“fountainhead”] do Objetivismo, nome que ela deu à sua filosofia. Em 1961 ela publicou For the New Intellectual [Para o Novo Intelectual], uma coleção de passagens “filosóficas” de seus quatro romances que teve como introdução um ensaio com o título do livro, que era um desafio apaixonado e controvertido ao status quo intelectual.

Essa primeira coleção foi seguida de seis outras, uma publicada postumamente com introdução de Leonard Peikoff [Philosophy: Who Needs It? (Filosofia: Quem Precisa Dela?), todas elas, em parte, com material transcrito das três newsletters. Analisemos essas newsletters antes de discutir os livros.

Ayn Rand e os seus associados de então, Nathaniel e Barbara Branden, começaram a publicar The Objectivist Newsletter no final de 1961 – o primeiro número saiu, na verdade, em Janeiro de 1962. “Check Your Premises” [Verifique suas Premissas] era a coluna de Ayn Rand; “Choose Your Issues” [Escolha suas Causas] era sua mensagem de abertura. Barbara Branden veio a seguir com uma resenha de uma obra de Ludwig von Mises e Nathaniel Branden deu peso ao número com o primeiro episódio de “Intellectual Ammunition Department” [Departamento de Munição Intelectual]. Finalmente, Allan Greenspan [sim, ele mesmo!] escreveu “The Crisis Over Berlin” [A Crise em Relação a Berlim]. O estilo era urgente e agressivo. Que ninguém se engane, tratava-se de uma batalha intelectual, pois os Objetivistas declararam que o que estava em jogo eram princípios básicos, e que eles não eram conservadores: eram radicais defensores da liberdade e do capitalismo.

E é possível traçar o progresso. O “Objectivist Calendar” [Calendário Objetivista] mensal relatava conferências, livros, artigos, aparições em programas de rádio e de televisão, cursos, e muito mais. Barbara, Nathaniel, e Ayn Rand estavam constantemente diante do público, mas ensaios escritos por outras pessoas começavam a aparecer: Robert e Beatrice Hessen, Edith Efron, Joan Blumenthal e Martin Anderson, por exemplo. Rand se fazia presente todos os meses nas newsletters: criticando veementemente a FCC [Federal Communications Commission] e a legislação antitruste, prestando um tributo carinhoso a Marilyn Monroe, discutindo “Who Is the Final Authority in Ethics” [Quem é a Autoridade Final em Ética], fazendo reflexões sobre a campanha de Goldwater à Presidência, sobre “The Obliteration of Capitalism” [A Obliteração do Capitalismo], “Is Atlas Shrugging” [Está Atlas dando de Ombros?], e muito mais. De igual forma, Nathaniel Branden comentava questões teóricas como “The Stolen Concept” [O Conceito Roubado], “Agnosticism” [Agnosticismo], e outros. Mais tarde a newsletter recebeu um novo formato e um novo nome: The Objectivist. Mas o escopo intelectual permaneceu surpreendente.

Alguns dos ensaios foram reimpressos em suas coleções de ensaios, na forma de livros. Outros ensaios – algumas verdadeiras pérolas – não foram reimpressos, estando disponíveis apenas nos volumes encadernados das newsletters [ainda hoje comercializados].  Colaboradores de Ayn Rand contribuíram para as newsletters análises na área artística, como foi o caso de Kay Nolte Smith sobre Terence Rattigan, Joan Mitchell Blumenthal sobre “Art for Power’s Sake” [Arte por Amor ao Poder], Mary Ann Sures sobre “Metaphysics in Marble” [Metafísica em Mármore]. Robert Efron publicou “Biology Without Consciousness” [Biologia sem Consciência], Allan Blumenthal escreveu sobre psicoterapia, George Reisman publicou “Platonic Competition” [Competição Platônica], o filósofo George Walsh apresentou uma longa crítica do guru da Nova Esquerda, Herbert Marcuse. Ayn Rand escreveu ensaios sobre campanhas políticas, e sobre outros assuntos: “Apollo 11”, “Altruism as Appeasement” [Altruísmo como Tentativa de Pacificação], “Our Cultural Value-Deprivation” [Nossa Privação de Valores Culturais], e muitos mais. Nathaniel Branden escreveu ensaios pioneiros sobre livre arbítrio e determinismo, bem como sobre suas teorias psicológicas. (Mais tarde, alguns desses trabalhos foram publicados, na forma de livro, em The Psychology Of Self Esteem [A Psicologia da Auto-Estima]).

E então aconteceu a ruptura tumultuada. No final de 1968 foi publicado um número de The Objectivist (com data de “Maio”, mas só publicado no final de Setembro), com um sombrio ensaio de abertura: “To Whom It May Concern” [A Quem Possa Interessar]. O ensaio anunciava a decisão de Rand de cortar seus laços com Nathaniel e Barbara Branden. Naquele momento, eles tinham milhares de seguidores e cerca de 25.000 deles leram aquele número, que mostrava uma fratura irreparável dentro do movimento Objetvista. Ayn Rand continuou The Objectivist sozinha ainda durante cerca de três anos.

Então ela lançou The Ayn Rand Letter, que consistia principalmente de comentários sobre eventos correntes. Alguns de seus melhores ensaios estão no volume encadernado desta terceira fase das newsletters: artigos sobre Nixon, McGovern, Watergate, a abertura para com a China, controle de salários e de preços, inflação, as lições de Vietnã, e muitos, muitos outros assuntos.

Finalmente, foi demais. Ela foi operada de câncer no pulmão e recebeu uma visita traumática de sua única irmã viva, Nora. Seu marido, Frank O’Connor, também estava doente, degenerando mental e fisicamente. Tudo isso cobrou o seu pedágio. Houve algumas conferências mais, mas suas forças estavam desaparecendo. Logo haveria apenas silêncio – e um legado.

Ayn Rand partia.

O Legado

O Ayn Rand nos deixou? Inspiração, sabedoria, paixão, e muitas verdades. As pessoas às vezes zombava de sua constante recitação de princípios básicos, mas a verdade é que ninguém o fez melhor do que ela. A sua era uma inteligência ampla e profunda, mas houve momentos em que ela tomava uma posição política, ou histórica, com base em pouco conhecimento de detalhe. Ela não era uma leitora ávida.

Ainda assim, ela foi brilhante, prolífica e freqüentmente estava certa. Se você procura os essenciais de sua filosofia, tome os sete livros de não ficção que ela esceveu e releia as seleções dos discursos de seus romances em For The New Intellectual [Para O Novo Intelectual]. Philosophy: Who Needs It? [Filosofia: Quem Precisa Dela?] contém vários ensaios excelentes. Leia “Faith and Force: The Destroyers of the Modern World” [Fé e Força: Os Destruidores do Mundo Moderno], que não está disponível em nenhum outro local, e os três formidáveis ensaios: “The Metaphysical versus the Man-Made” [O Metafísico versus o Feito pelo Homem], “Kant versus Sullivan” [Kant versus Sullivan] (uma abordagem brilhante à epistemologia), e “Causality versus Duty” [Causalidade versus Dever]. Introduction to Objectivist Epistemology [Introdução à Epistemologia Objetivista] permance sua melhor obra de filosofia, mas “The Objectivist Ethics” [Ética Objetivista] em The Virtue of Selfishness [A Virtude do Egoísmo] não fica muito atrás. Outras pérolas estão espalhadas em Capitalism: The Unknown Ideal [Capitalismo: O Ideal Desconhecido], The New Left: The Anti-Industrial Revolution [A Nova Esquerda: A Revolução Anti-Industrial] (releia “The Comprachicos” [Os Comprachicos]), e The Romantic Manifesto [O Manifesto Romântico] (“Art and Cognition” [Arte e Cognição] é poderoso aqui).

Reler Ayn Rand nem sempre é fácil. Seu estilo é claro e preciso, mas a prosa pulsa com o ritmo da ficção, levando você adiante antes de você ter tempo de digerir um argumento. Ela está no seu melhor quando utiliza metáfora ou analogia, ou, então, curtas frases descritivas que vão direto à essencia de uma questão. Ela levanta questões intelectuais com o poder de uma contadora de histórias das melhores. Ela é direta. Ela é única. Ela é Ayn Rand.

Concordar com ela? Claro que sim, mas faça-o como ela o faria: com uma inteligência crítica; equacione o seu assentimento à evidência, como Brand Blanshard o faria. Discordar dela? Por que não – apenas não represente erradamente os seus pontos de vista, como muitos o fazem. Ignorá-la? Você vai ser esquecido antes.

Para o bem e para o mal, nunca haverá outro como ela. Leia The Passion of Ayn Rand [A Paixão de Ayn Rand], siga seus argumentos em The Objectivist NewsletterThe ObjectivistThe Ayn Rand Letter e suas coleções de não ficção, e você aprenderá a apreciar o que ela realizou.

No que diz respeito à razão, ao individualismo, e ao liberalismo e capitalismo laissez-faire, ela foi a primeira a atrair a atenção do mundo neste século. Ela falou para aquilo que é o melhor de nós – e nós ouvimos.

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Este o texto da terceira página, Resumo de Suas Ideias:

Ayn Rand: A Face Contemporânea do
Racionalismo, do Individualismo e do Liberalismo

 Eduardo Chaves

  1. Introdução: O Projeto de Ayn Rand
  2. A Filosofia
  3. A Metafísica
  4. A Epistemologia
  5. A Ética
  6. A Filosofia Política
  7. A Visão da Economia
  8. A Estética

“‘Deus, conceda-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as coisas que posso, e sabedoria para discernir a diferença’.

Esta notável afirmação é atribuída a um teólogo de cujas idéias discordo em todos os aspectos fundamentais: Reinhold Niebuhr. Mas – omitindo-se a forma de oração, i.e., a implicação de que os estados mentais-emocionais de uma pessoa podem se transformar em realidade pela graça de Deus – esta afirmação é profundamente verdadeira, como um sumário e uma diretriz: ela explicita a atitude mental que um homem racional deve procurar alcançar. A afirmação é bela em sua eloqüente simplicidade; mas o alcançar daquela atitude envolve as questões morais-metafísicas mais profundas da filosofia.” [1]

1. Introdução: O Projeto de Ayn Rand

Ayn Rand certamente vai ser colocada entre as figuras mais importantes da filosofia do século XX e como a mais intransigente e coerente defensora da razão contra as várias formas de irracionalismo, do indivíduo contra as várias formas de coletivismo (social ou estatal), e da liberdade contra todas as formas de servitude. Mas a defesa do indivíduo e da liberdade se encaixam no contexto maior de sua defesa da razão. Na verdade, fazem parte de sua defesa da razão a defesa dos seguintes princípios, sem os quais a razão sossobra:

Realismo, na metafísica: a realidade existe, tem existência objetiva, e tem primazia sobre a consciência que dela tem o homem, ou seja, existe independentemente de ser percebida ou ser conhecida, não sendo, portanto, de maneira alguma, “construída” pela mente humana.

Empirismo, realismo, racionalismo, e objetivismo, na epistemologia: a realidade é cognoscível através dos sentidos e da razão; os sentidos fornecem a matéria prima que a razão identifica, analisa e integra na forma de conceitos, e esse conhecimento conceitual da realidade é objetivo.

Individualismo, egoísmo e racionalismo na ética: O indivíduo é a base de considerações morais, não o social, porque a razão é atributo do indivíduo, e não do coletivo, e é através da razão que o indivíduo define o código de valores que vai determinar sua conduta: um código baseado em seu auto-interesse racional (egoísmo), voltado para a preservação de seu valor supremo, a sua vida como ser racional (e conseqüentemente livre.

Liberalismo “laissez faire” na política: O único propósito defensável de um estado é defender os direitos do indivíduo à vida e à liberdade, protegendo-o contra a violência física, fraudes e quebra de contratos. Suas funções legítimas, portanto, devem se restringir a ser polícia (proteger o indivíduo de quem, dentro de uma unidade política, pode querer violar os seus direitos), ser exército (proteger o indivíduo de ameaças externas) e ser juiz (proteger os contratos e as propriedades do indivíduo contra quebra, fraude, roubo e outras ameaças.

Capitalismo na economia: O capitalismo é o único sistema econômico que preserva todos os outros princípios aqui enunciados; ele possui, portanto, um embasamento moral, e não meramente econômico ou pragmático.

A todo esse conjunto, que forma um dos poucos sistemas integrados e coerentes na filosofia do século XX, Ayn Rand deu o nome de Objetivismo (porque o termo “Racionalismo” já estava desgastado). Vamos discuti-lo em partes.

Mas é importante ressaltar desde já que o tema da razão pervade todos esses sub-temas. A própria Ayn Rand deixa isso claro:

“… Não sou primariamente uma advogada do capitalismo, mas do egoísmo; e não sou primariamente uma advogada do egoísmo, mas da razão. Se alguém reconhece a supremacia da razão e a aplica consistentemente, tudo o mais segue. Isto – a supremacia da razão – foi, é e será a preocupação primária de meu trabalho, e a essência do Objetivismo. … A razão na epistemologia leva ao egoísmo na ética, que por sua vez leva ao capitalismo na política. A estrutura hierárquica não pode ser invertida, nem pode um nível posterior se sustentar sem o fundamental” [2].

“Não podemos lutar contra o coletivismo, a menos que lutemos contra sua base moral: altruísmo. Não podemos lutar contra o altruísmo, a menos que lutemos contra sua base epistemológica: irracionalismo. Não podemos lutar contra nada – a menos que lutemos por alguma coisa: e aquilo pelo que devemos lutar é a supremacia da razão, e uma visão do homem como ser racional” [3].

2. A Filosofia

“A filosofia é a ciência que estuda os aspectos fundamentais da natureza da existência. A tarefa da filosofia é fornecer ao homem uma visão abrangente da vida. Essa visão serve como base, como quadro de referência, para suas ações, mentais ou físicas, psicológicas ou existenciais. Essa visão lhe define a natureza do universo com o qual ele tem que lidar (metafísica); os meios pelos quais ele deve lidar com o universo, i.e., os meios de obter conhecimento (epistemologia); os padrões mediante os quais ele deve escolher suas metas e seus valores, tanto em referência à sua vida e seu caráter (ética) como em referência à sociedade (política); e os meios de concretizar essa visão (estética). Ao homem não é dada a escolha de ter ou não ter uma visão abrangente da vida: ele não pode sobreviver sem ela. … Sua escolha … diz respeito somente à visão que ele vai escolher, se ela é verdadeira ou falsa. Se for falsa, ela acaba por funcionar como o seu próprio destruidor” [4].

3. A Metafísica

O moto citado no início deste trabalho é pleno de premissas filosóficas da mais alta importância. A maioria das pessoas, desconhecedoras deste fato, passam a maior parte de suas vidas em rebelião fútil contra coisas que não têm o poder de mudar, passivamente resignadas a coisas que poderiam mudar e sem jamais tentar descobrir quais são quais. O resultado desta postura filosófica é um sentimento crônico de dúvida sobre si próprio e de culpa. (E depois ainda há gente que duvida que a filosofia tenha implicações e conseqüências práticas… É uma filosofia inadequada que leva tanta gente aos divãs dos analistas).

A. A Primazia da Realidade

O moto retirado de Niebuhr reconhece que há coisas que o homem não pode mudar. Reconhece, portanto, que há coisas que não são afetadas por sua ação, que não são objeto de sua escolha e decisão: essas coisas são porque são, são porque assim nos são dadas. O moto reconhece, portanto, a primazia da realidade.

A primazia da realidade é o axioma (aparentemente trivial) de que o que existe, existe, i.e., de que o universo existe independentemente de nossa percepção, de nossa consciência dele, de nossos desejos, de nossos receios. As coisas na natureza são o que são, possuem uma natureza específica, uma identidade.

B. A Cognoscibilidade da Realidade

O corolário epistemológico deste axioma é que a realidade é cognoscível pelo homem, porque é parte da natureza do homem ser consciente (conscious) dessa realidade. Através de sua consciência, ou seja, de sua capacidade de perceber a realidade, o homem é capaz de conhecer o que existe. Este conhecimento da realidade se adquire olhando “para fora de si”, para a realidade.

Consciência é a capacidade de perceber aquilo que existe (Peikoff, 4).

C. Nota Sobre a Filosofia Moderna

A filosofia moderna tem invertido esses dois axiomas, com desastres inimagináveis por conseqüência. Afirma ela a primazia da consciência, não da realidade. “Esse est percipii”, dizia Berkeley, ser é ser percebido. Estava errado. “Esse est esse” – “A é A” – o princípio da identidade.

Mas a gênese do problema já está em Descartes e Kant colocou os retoques finais de acabamento nesse sistema irracional, tentando mostrar que não temos acesso às coisas elas-mesmas (noumena), à realidade, como ela é, mas apenas a fenômenos mentais, ou seja, às coisas (se é que podemos continuar a falar de “coisas”) como elas nos são representadas mentalmente (phenomena). Nunca vamos pode saber se nossas representações mentais correspondem à realidade, porque esta nos é inacessível.

Seus colegas contemporâneos (de Descartes e de Kant) persistem no erro. Para eles, o que percebemos não é a realidade externa, mas sensações, sense data, ou seja, nada mais do que o produto de nossa própria consciência.

Por isso é que a existência de um mundo exterior se tornou, absurdamente, um dos maiores problemas da filosofia moderna e contemporânea: como é que posso provar que existe, como causa de minhas sensações, uma realidade objetiva, se tudo o que percebo são as próprias sensações?

O corolário epistemológico do axioma metafísico que dá primazia à consciência é a noção de que se adquire conhecimento olhando para dentro, olhando para a nossa própria consciência ou estrutura mental – e não olhando para fora, para a realidade.

D. O Dualismo Sujeito – Objeto

Desta forma, a filosofia moderna perdeu de perspectiva o dualismo entre o sujeito cognoscente e a realidade cognoscível, entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Consciência e realidade passam a ser vistas como uma só coisa.

Esta distinção entre sujeito e objeto do conhecimento não nos é dada de forma automática: ela tem que ser aprendida. Ela está implícita em minha consciência mas tem que ser formulada conceitualmente e ser considerada como absoluta. Crianças e seres primitivos não fazem essa distinção com clareza.

Mesmo homens adultos e civilizados têm o poder de ignorar esta distinção. Ela não se impõe: o conhecimento da realidade não é automático. Para ver, não basta ter olhos, a despeito do que diz o Evangelho: é preciso tomar a decisão de ver, deixar que a razão aja sobre os dados perceptuais analizando-os, integrando-os. (O conhecimento não é “manifesto”, como diria Popper).

O homem tem a opção de perceber a realidade ou de fugir dela, de tentar mascará-la, de tentar forjar uma realidade “à sua própria imagem”, determinada por seus desejos e temores.

Conhecer a realidade é descobrir as características ou propriedades das coisas que existem, é descobrir e aceitar aquilo que é metafisicamente dado.

E. A Possibilidade de Intervenção sobre a Realidade

Mas o moto reconhece que há coisas que podem ser mudadas, e, portanto, que o homem tem capacidade de ação sobre a natureza, que algumas coisas estão sujeitas à sua vontade e à sua decisão. Mas é preciso deixar claros os limites: o único poder que o homem possui sobre a natureza é o de combinar ou rearranjar seus elementos para que estes sirvam às suas necessidades. É este o método de sobrevivência.

O homem não consegue criar algo a partir do nada. Sua criatividade é a de produzir arranjos ou combinações de elementos naturais que não existiam antes. Para dominar a natureza, ele precisa primeiro obedecê-la, como disse Francis Bacon (“Nature, to be commanded, must be obeyed”). Neste contexto, comandar a natureza significa arranjá-la de tal forma que sirva aos propósitos do homem; obedecê-la significa que os propósitos do homem não serão atingidos na natureza, a menos que ele descubra as propriedades dos elementos naturais e aja de maneira a respeitá-los.

F. Como Saber Discernir a Diferença?

A diferença entre aquilo que pode ser mudado e aquilo que não pode ser mudado se discerne através da razão – e aqui entramos no campo da epistemologia.

4. A Epistemologia

Os sentidos são a única fonte de informação que o homem tem acerca da realidade, sua única forma de contacto com ela. Sem evidência sensorial, não se pode falar em conceitos; sem conceitos não há linguagem; sem linguagem não há conhecimento [5].

O homem é um ser consciente. Sua consciência (consciousness [6]) é sua faculdade de perceber aquilo que existe. Uma consciência pura, sem nenhum objeto, é, portanto, algo impossível, uma contradição em termos. Também é impossível uma consciência consciente apenas de si própria. Antes que a consciência possa se identificar enquanto tal, ela precisa estar consciente de alguma coisa diferente de si própria [7].

A consciência do homem – bem como a existência de um mundo exterior do qual ele é consciente – é um primário irredutível que não pode ser analisado ou provado. Qualquer tentativa de prová-la ou a pressupõe ou envolve contradição [8].

Embora, cronologicamente, a consciência do homem se desenvolva em três estágios – sensação, percepção e concepção – epistemologicamente todo o conhecimento humano tem sua base na percepção e se coroa na concepção (que é a forma distintamente humana de conhecer) [9].

As sensações, enquanto tais, não são retidas na memória, e o homem não é capaz de experimentar uma sensação puramente isolada. Tanto quanto se possa determinar, a experiência sensorial de uma criança pequena é um caos não diferenciado. As sensações começam a ser discriminadas a nível da percepção [10].

Um perceito (lat. perceptum [11]) é um grupo de sensações automaticamente retido e integrado pelo cérebro de um organismo. É na forma de perceitos que o homem apreende a evidência de seus sentidos e percebe a realidade. Perceitos, não sensações, são o dado, o auto-evidente, aquilo a que nos referimos quando dizemos que alguma coisa é direta e imediatamente perceptível. O conhecimento das sensações que compõem um perceito não é dado – somente é adquirido pelo homem através de um complexo processo de descoberta [12].

Um conceito é uma integração mental de duas ou mais unidades que são isoladas de acordo com características específicas e unidas através de uma definição específica [13].

A formação de um conceito envolve esses dois elementos: primeiro isolamento de algumas características específicas compartilhadas por duas ou mais entidades, e, segundo, a integração dessas características em uma nova entidade – só que agora mental – que passa a ser usada como uma unidade de pensamento singular. O isolamento se dá através de um processo de abstração: algumas características são focalizadas (abstraídas), enquanto outras são ignoradas. Já a integração se dá através de uma definição, que dá ao conceito a sua identidade, e se consubstancia em um termo de nossa linguagem. A função da linguagem é, portanto, permitir que um conceito seja utilizado como uma unidade de pensamento singular. O termo que designa um conceito permite que este, que é geral, seja manipulado como se fosse um “concreto mental”. É a linguagem que permite que um conceito seja facilmente diferenciado de outros conceitos. Nomes próprios, por outro lado, são usados para identificar entidades particulares, não conceitos [14].

Formalmente, “um conceito é uma integração mental de duas ou mais unidades possuindo as mesmas características diferenciadoras, com suas medidas específicas omitidas” [15]. As unidades que são integradas no conceito são similares, entendendo-se por “similaridade” a relação que duas ou mais unidades têm entre si quando elas possuem as mesmas características mas em diferente medida ou grau [16].

Novos conceitos são formados pela integração, em categorias mais amplas, de conceitos anteriormente formados [17].

Pode haver conceitos de entidades (coisas), de atributos (características ou qualidades de entidades), de relações (entre entidades), de ações, etc. [18].

“Tanto quanto pode ser determinado, o nível perceptual da consciência (awareness) de uma criança é semelhante à consciência (awareness) dos animais mais elevados: esses animais são capazes de perceber entidades, moções, atributos e certos números de entidades. Mas o que um animal não pode realizar é o processo de abstração, o processo de mentalmente separar de entidades os atributos, moções ou números. Tem-se dito que um animal pode perceber duas laranjas ou duas batatas, mas não pode formar o conceito ‘dois'” [19].

“A consciência do homem compartilha com os animais os dois primeiros estágios de seu desenvolvimento [cognitivo]: sensações e percepções; mas é o terceiro estágio, concepções, que diferencia e caracteriza o homem. Sensações são integradas em percepções automaticamente, pelo cérebro do homem e do animal. Mas integrar percepções em concepções, por um processo de abstração, é um feito que apenas o homem consegue realizar – mas ele tem que realizá-lo por escolha. O processo de abstração, e de formação de conceito, é um processo da razão, do pensamento; não é automático, nem instintivo, nem involuntário, nem infalível. O homem tem que iniciá-lo, sustentá-lo, e assumir responsabilidade pelos seus resultados” [20].

Da mesma forma que o homem conhece a realidade exterior através da percepção, ele pode conhecer sua própria consciência formando conceitos acerca dos vários modos em que sua consciência atua:

“Para formar conceitos da consciência (consciousness) é preciso isolar a ação [mental] do conteúdo de um dado estado de consciência, através de um processo de abstração. Da mesma forma que, extrospectivamente, o homem pode abstrair atributos de entidades, também, introspectivamente, ele pode abstrair as ações de sua consciência de seus conteúdos, e observar as diferenças entre essas várias ações. Por exemplo (no nível do adulto), quando um homem vê uma mulher andando na rua, a ação de sua consciência é percepção; quando ele nota que ela é bela, a ação de sua consciência é avaliação; quando ele experimente um estado interior de prazer e aprovação, de admiração, a ação de sua consciência é emoção; quando ele pára para observá-la aí tira conclusões, a partir da evidência, sobre seu caráter, sua idade, sua posição social, etc., a ação de sua consciência é pensamento; quando, mais tarde, ele relembra o incidente, a ação de sua consciência é reminiscência; quando ele projeta que sua aparência ficaria melhorada se seu cabelo fosse loiro e não castanho, e seu vestido fosse azul em vez de vermelho, a ação de sua consciência é imaginação” [21].

No reino da introspecção, as unidades que são integradas para formar um determinado conceito são instâncias específicas de um dado processo psicológico [22]. A definição formal de um conceito referente à consciência é, portanto: “Um conceito referente à consciência é uma integração mental de duas ou mais instâncias de processos psicológicos possuindo as mesmas características diferenciadoras” [23].

“‘Sabemos que nada sabemos’, eles tagarelam, tentando ignorar o fato de que estão reivindicando conhecimento” [24].

Leonard Peikoff diz:

“O ceticismo cruzadístico da era moderna; o crescente ataque sobre absolutos, certeza, a própria razão; a insistência de que convicções firmes são uma doença e que o compromisso (compromise) em qualquer disputa é o único recurso – tudo isso, numa parcela significativa, é decorrência da abordagem básica de Descartes à filosofia. … Observe que Descartes começa seu sistema usando ‘erro’ e seus derivativos como ‘conceitos roubados’. Os homens podem estar errados, e, portanto, ele conclui, eles nunca podem conhecer o que é certo. Mas se eles não podem, como é que eles jamais descobriram que esrtavam errados? Como é que alguém pode formar o conceito de ‘erro’ sendo totalmente ignorante do que é correto? ‘Erro’ significa um distanciamento da verdade. O conceito de ‘erro’ logicamente pressupõe que alguém já apreendeu alguma verdade. Se a verdade fosse incognoscível, como Descartes dá a entender, a idéia de distanciamento dela seria sem sentido. … A falibilidade não torna o conhecimento impossível. É o conhecimento que torna possível descobrir a falibilidade” [25].

Como tudo o mais que existe, a consciência do homem tem uma natureza, tem uma identidade. Os homens reconhecem, sem maior dificuldade, que seu corpo, e mesmo as várias partes do seu corpo, têm naturezas ou identidades próprias, que determinam a forma em que são tratados. Conseqüentemente, escovam seus dentes, cortam suas unhas e seus cabelos, não tomam regularmente veneno, etc., porque a natureza de seus dentes, de suas unhas, de seus cabelos, de seus estômagos, exige esses cuidados. Contudo, não percebem que sua consciência também tem natureza e identidade própria, e portanto acreditam que sua consciência pode “engolir” qualquer coisa – ou pelo menos assim parece, até que são forçados a deitar, em agonia, no divã de um psicólogo [26].

Da mesma forma que “a natureza, para ser comandada, precisa ser obedecida”, a consciência, para ser apreendida e conhecida também tem que ser obedecida: as regras da cognição devem respeitar a natureza da realidade e da consciência [27].

É isso que é objetividade:

“A objetividade começa com a percepção (realization) de que o homem (incluindo todos os seus atributos e faculdades, mesmo sua consciência) é uma entidade de uma natureza específica e que precisa agir conformemente; que não há forma de escapar da lei de identidade, nem no universo com o qual ele lida nem nas operações de sua própria consciência; que se ele pretende adquirir conhecimento daquele, ele precisa primeiro descobrir o meio apropriado de utilizar esta; que não há espaço para o arbitrário na atividade do homem, menos de tudo em seu método de cognição; que assim como ele teve que atentar para critérios objetivos ao construir suas ferramentas físicas, tem, da mesma forma, que atentar para eles ao formar suas ferramentas de cognição: seus conceitos” [28].

Aquele que Ayn Rand chama de “místico” é o que se recusa a acreditar que a consciência, como todo existente, possui uma natureza, uma identidade, que funciona de certa maneira e não de outras [29].

A faculdade que dirige o processo de cognição é a razão; o processo, é o pensamento [30].

5. A Ética

A. O Conceito de Moralidade

A moralidade é um código de valores que guia as escolhas, decisões e ações dos homens, e, assim, determina o propósito e o curso de sua vida. É um código através do qual ele julga o que é certo ou errado, bom ou mal [31].

B. Moralidade e Valores

Mas, visto que a moralidade é um código de valores, cabe perguntar o que é um valor. Um valor, afirma Rand, é aquilo que alguém age para ganhar ou manter.

É importante distinguir aqui que, nesta definição inicial, Rand caracteriza aquilo que em realidade (de facto) tem valor para uma pessoa, não aquilo que deve (de jure) ter valor.

Um “valor supremo” (ou “valor último”), para uma pessoa, é aquele valor para o qual todos os outros valores são meios. Na verdade, é a existência de um valor supremo, que é, necessariamente, um fim em si mesmo, que permite que os meios de alcançá-lo se tornem valores (intermediários). “É apenas um alvo último, um fim em si mesmo, que torna a existência de valores possível” [32].

A noção de valor, assim conceituada, pressupõe que exista alguém que possa agir para ganhar ou manter alguma coisa, ou seja, que existam seres que possam se comportar de forma a atingir um alvo, uma meta [33].

Essa noção de valor pressupõe, também, que esse ser confronte alternativas, que existam várias e diferentes coisas que ele pode desejar ganhar ou manter [34].

Apenas seres vivos podem ter valores, pois somente eles, na natureza, podem agir para alcançar alvos e metas, e somente eles são confrontados por alternativas. (Conseqüentemente, dos seres vivos apenas o homem pode ter código de valores, moralidade e ética.)

A primeira questão que se levanta em relação a um código de valores diz respeito à razão pela qual seres humanos precisam de um código de valores [35].

Na verdade, os seres vivos precisam, antes de tudo mais, agir para manter suas vidas, visto que podem morrer, deixar de existir. A matéria não cessa de existir – ela apenas se transforma. Mas a vida termina: ela só é mantida através de um processo de ação que a gera e sustenta. Apenas seres vivos, portanto, são confrontados com a mais genuína de todas as decisões: a de continuar vivendo ou perecer, a da existência e da não-existência.

O valor último de qualquer organismo é, portanto, sua própria vida. Sem ela não há nenhum outro valor. Tudo o mais que tem valor para um organismo, tem valor intermediário, derivativo. O valor último, o fim em si mesmo, é a manutenção da vida, porque sem ela nada mais existe para o organismo, nada mais pode lhe ter valor. A vida é, portanto, o padrão de valor [36]: aquilo que contribui (como meio) para sua manutenção, tem valor (intermediário, subsidiário).

A vida de um organismo depende, do ponto de vista material, de haver suficiente combustível (alimentação) para que ela sobreviva, mas depende, também, do ponto de vista do organismo, de ele tomar as ações necessárias para fazer uso appropriado desse combustível.

Em relação a muitos organismos, esse processo é mais ou menos automático: as ações necessárias para se apropriarem do combustível necessário à manutenção de sua vida são tomadas de maneira instintiva, mais ou menos automática [37].

No caso de seres humanos, porém, esse automatismo é não-existente. “O homem nasce nu e desarmado, sem presas, garras, chifres ou conhecimento ‘instintivo'” [38]. O homem não toma, automática ou instintivamente, as ações necessárias para sobreviver: ele tem que escolher como agir, ele tem que conscientemente decidir. Se não fizer isso, morre. É isso o que Rand quer dizer quando afirma que o homem é um ser de “consciência volicional”: o homem, para sobreviver, tem que conscientemente decidir quais ações tomar para sobreviver.

Por causa disso, porque o homem é um ser de consciência volicional, porque ele precisa conscientemente decidir como agir para poder sobreviver, o homem precisa de um código de valores para orientá-lo em suas decisões. O homem tem que escolher um padrão de valor. A escolha racional aponta na direção de um padrão e um código de valores que geram e sustentam sua vida. Uma escolha irracional o levará a um código de valores que impede ou mesmo destrói a vida. E ele pode decidir não escolher o padrão objetivo: a vida. Nesse caso, suas ações levarão (eventualmente) … à sua destruição. Diz Rand:

“Vida ou morte é a única alternativa fundamental do homem. Viver é seu ato básico de escolha. Se ele escolhe viver, uma ética racional lhe dirá que princípios de ação são necessários para implementar sua escolha. Se ele não escolhe viver, a natureza se encarrega” [39].

Isso quer dizer que embora valores se apliquem a todos os seres vivos, a moralidade se aplica tão-somente ao homem – embora se aplique a todos os aspectos de sua vida: suas ações, seu caráter, sua relação com o restante da realidade [40].

C. Valores, Ética e Razão

A ética é a ciência que leva à definição desse código de valores [41].

Mas como é que se define esse código de valores?

Para que possa elaborar um código de valores que guie a sua conduta, ou seja, para que possa definir uma moralidade, o homem precisa conhecer a natureza do mundo que o cerca e a natureza de seus meios de cognição: isto é, ele precisa responder às questões colocadas pela metafísica e pela epistemologia, pois doutra forma não poder  saber o que fazer [42].

“A relação entre razão e moralidade é recíproca. O homem que aceita o papel de um animal sacrificial não obterá a auto-confiança necessária para sustentar a validade de sua mente. O homem que duvida da validade de sua mente não alcançará a auto-estima necessária para sustentar o valor de sua pessoa e descobrir as premissas morais que tornam possível o valor do homem” [43].

E o instrumento de cognição do homem é sua razão: é através dela que ele integra os elementos da percepção e assim vem a conhecer o mundo que o cerca.

“Na medida em que um homem é racional, vida é a premissa que dá direção às suas ações; na medida em que ele é irracional, a premissa que direciona suas ações é a morte” [44].

Isso significa que a ética não está fundamentada, como acreditam muitos filósofos, no sentimento, nas emoções, ou na intuição, nos costumes sociais, tampouco na noção de dever. Ela está fundamentada na razão [45]. Significa, além do mais, que a moralidade não é algo imposto sobre o homem porque ele vive em sociedade:

“Vocês que alardeiam que a moralidade é social, afirmam que o homem não precisaria da moralidade em uma ilha deserta. É numa ilha deserta que ele mais precisaria dela! Deixe que ele pretenda, em um tal lugar, quando não há nenhuma vítima que ele possa espoliar, que rocha é casa, que areia é vestimenta, que alimento vai cair em sua boca sem causa e esforço, que ele vai ter uma colheita amanhã devorando seu estoque de sementes hoje – e a realidade o varrerá da face da terra, como ele merece. A realidade lhe mostrará que a vida é um valor a ser comprado, e que o pensamento é a única moeda suficientemente nobre para adquiri-lo” [46].

Dois problemas:

Vida é o padrão objetivo de valor. No entanto, não é qualquer tipo de vida: é vida racional (King, pp.106-7)

“Tudo o que é próprio à vida de um ser racional é o bem; tudo aquilo que a destrói é o mal” [47].

“Há, em essência, três escolas de pensamento sobre o natureza do bem, a saber, as que vêem o bem como, respectivamente, intrínseco, subjetivo, e objetivo. A teoria do bem intrínseco mantém que o bem é inerente a certas coisas ou ações, enquanto tais, irrespectivamente de seu contexto e de suas conseqüências, independentemente do benefício ou injúria que possam causar aos atores e sujeitos envolvidos. … A teoria do bem subjetivo mantém que o bem não tem relação com os fatos da realidade, que ele é o produto da consciência do homem, criado por seus sentimentos, desejos, ‘intuições’, caprichos … A primeira dessas duas teorias mantém que o bem reside em alguma forma da realidade, independente da consciência do homem; a segunda, que o bem reside na consciência do homem, independente da realidade. A teoria do bem objetivo, por sua vez, mantém que o bem não é nem um atributo das ‘coisas em si mesmas’ nem dos estados emocionais do homem, mas uma avaliação dos fatos da realidade segundo um padrão racional de valor. (Racional, neste contexto, quer dizer: derivado dos fatos da realidade e validado por um processo racional; cp.Lexicon,218). A teoria objetiva mantém que o bem é um aspecto da realidade em relação ao homem – e o bem tem que ser descoberto, não inventado, pelo homem” [48].

O homem pode não escolher esse padrão — em cujo caso sua moralidade é uma moralidade de morte.

6. A Filosofia Política

“No espaço da duração de uma vida humana, duas guerras mundiais devastaram o mundo civilizado inteiro; duas ditaduras de grande porte, na Rússia e na Alemanha, cometeram tais atrocidades que a maior parte dos homens é incapaz de plenamente acreditar no que aconteceu; e o sangrento aumento do mando (rule) pela força bruta está se espalhando pelo mundo inteiro. Algo obviamente está errado com as idéias políticas da humanidade, e esse fato está a exigir atenção. Declarar, nessas circunstâncias, que política não é preocupação da filosofia é uma omissão tão indizível que pode ser comparada apenas à postura de um médico que declarasse, em meio a uma epidemia de peste bubônica, que saúde ou doença não é preocupação da medicina” [49].

Para viver o homem precisa de alimento, de abrigo. Essas coisas não crescem em árvores: elas exigem pensamento e trabalho produtivo.

“A característica essencial do homem é sua faculdade racional. A mente do homem é seu meio básico de sobrevivência – seu único meio de obter conhecimento. … Para sustentar a vida, todo espécie viva tem que seguir um certo curso de ação exigido pela sua natureza. A ação requerida para sustentar a vida humana é primariamente intelectual: tudo o que o homem precisa tem que ser descoberto pela sua mente e produzido pelo seu esforço. A produção é a aplicação da razão ao problema da sobrevivência” [50].

Pensamento:

“Visto que conhecimento, pensamento e ação racional são propriedades do indivíduo, visto que a escolha de exercer ou não sua faculdade racional depende do indivíduo, a sobrevivência do homem exige que aqueles que pensam sejam livres da interferência daqueles que não pensam. Visto que os homens não são nem oniscientes nem infalíveis, eles precisam ser livres para concordar e discordar, para cooperar ou seguir seu próprio curso independente, cada qual segundo o seu próprio julgamento racional. Liberdade é a exigência fundamental da mente humana” [51].

“Trabalho produtivo é o propósito central da vida de um homem racional, o valor central que integra e determina a hierarquia de todos os seus outros valores” [52].

Se alguém não trabalha, terá que viver do trabalho do outro. Para ser incentivado a trabalhar (além do mínimo indispensável à sua própria sobrevivência), o homem precisa ter a garantia de que o produto de seu trabalho será seu, não lhe será tirado, confiscado, roubado.

Para viver o homem precisa ter liberdade.

“Liberdade intelectual não pode existir sem liberdade política; liberdade política não pode existir sem liberdade econômica; uma mente livre e um mercado livre são corolários” [53].

7. A Visão da Economia

“O capitalismo exige o melhor de cada homem – sua racionalidade – e o recompensa em função do que ele dá. Ele deixa cada homem livre para escolher o trabalho de que gosta, para se especializar nele, para trocar seu produto pelos produtos dos outros, e para ir tão longe no caminho da realização quanto sua habilidade e sua ambição o levarem. Seu sucesso depende do valor objetivo de seu trabalho e da racionalidade daqueles que reconhecem aquele valor. Quando os homens são livres para trocar, com a razão e a realidade como seu único árbitro, quando nenhum homem puder usar a força física para extrair o consentimento de um outro, é o melhor produto e o melhor julgamento que ganharão em qualquer campo de empreendimento humano, e elevarão o  padrão de vida – e de pensamento –  cada vez mais alto para aqueles que participam da atividade produtiva da humanidade” [54].

No início se disse que a justificativa do capitalismo não é pragmática, mas, sim, moral.

“A justificativa moral do capitalismo é o direito do homem de viver para si mesmo (“for his own sake”), não se sacrificando pelos outros nem sacrificando os outros por si próprio; é o reconhecimento de que o homem – cada homem e todo homem – é um fim em si próprio, e não um meio para satisfazer as necessidades dos outros, não um animal sacrificial usado para satisfazer às necessidades de qualquer um” [55].

O juramento básico da sociedade randiana será: “Juro pela minha vida, e pelo amor que tenha a ela, que nunca viverei por amor a um outro homem (for the sake of another man), e que nunca pedirei que outro homem viva por amor a mim” [56].

“Cada homem é livre para tentar chegar até onde pode ou deseja chegar, mas é sua capacidade de pensar que determina até onde ele vai chegar. O valor do trabalho físico, como tal, não se estende além do momento em que é realizado. O homem que realiza apenas trabalho físico consome o valor material correspondente à sua contribuição ao processo de produção, e não deixa nenhum valor residual, nem para si, nem para os outros. Mas o homem que produz uma idéia em qualquer área de atividade racional – o homem que descobre novos conhecimentos – é o benfeitor permanente da humanidade. Produtos materiais não podem ser compartilhados – eles pertencem ao seu consumidor final. Apenas o valor de uma idéia pode ser compartilhado com um número ilimitado de pessoas, fazendo com que todos os que compartilham se tornem mais ricos, sem que ninguém se sacrifique ou perca. É o valor de seu próprio tempo que os intelectualmente fortes transferem aos fracos, deixando que estes trabalhem em empregos que aqueles tornaram possível, enquanto eles continuam a dedicar seu tempo a novas descobertas. Esta é uma permuta legítima que traz vantagens para ambos os lados. Os interesses da mente são unos, não importa o grau de inteligência envolvido, entre os homens que desejam trabalhar e não buscam nem esperam aquilo a que não fazem jus.

Em proporção à energia mental que ele usou, o homem que inventa alguma coisa recebe, como compensação material pelo seu trabalho, apenas um percentual pequeno do valor que gerou, não importa quão rico fique, nem quantos milhões ganhe. Mas o homem que trabalha como faxineiro na fábrica que produz os bens que aquela invenção tornou possível recebe um pagamento enorme em proporção ao esforço mental que aquele trabalho exige dele. E o mesmo vale para todos os homens entre esses dois extremos, não importa qual seja o nível de sua ambição ou habilidade. O homem no topo da pirâmide intelectual contribui o máximo para todos aqueles abaixo dele, mas nada recebe deles, exceto uma pequena retribruição material, pois não recebe deles nenhum bônus que possa acrescentar alguma coisa ao valor de seu tempo. O homem na parte inferior da pirâmide, entretanto, deixado à sua própria sorte, morreria de fome em sua desesperançada incapacidade (“ineptitude”), pois nada contribui para aqueles acima dele mas recebe o bônus de toda a habilidade intelectual destes. Esta é a natureza da ‘competição’ entre os intelectualmente fortes e os intelectualmente fracos. É essa a ‘exploração’ da qual se acusam os fortes” [57].

8. A Estética

“A arte é uma recriação seletiva da realidade de acordo com os juízos metafísicos de valor do artista. A finalidade da arte é concretizar a visão que o artista tem da existência. . . . Sou uma Romântica no sentido de apresento o homem como ele deveria ser. Sou uma Realista no sentido de que o coloco aqui e agora neste mundo”.

A tese de Mário Vargas Llosa, de que a ficção é a nossa tentativa de reconstruir a realidade como nós acreditamos que ela deveria ter sido, de certo modo ecoa essa visão randiana do papel da literatura.

NOTAS DE RODAPÉ

  1. Ayn Rand, “The Metaphysical and the Man-Made” (1973), in Philosophy: Who Needs It? (New American Library, New York, 1982; volume 1 of The Ayn Rand Library, editada por Leonard Peikoff), p.23, daqui em diante mencionado como PWNI.
  2. Ayn Rand, “Brief Summary”, in The Objectivist, September 1971, p.1089 (último número); Cf. também a Introdução de Leonard Peikoff a PWNI, p.vii.
  3. Ayn Rand, “Don’t Let it Go”, in PWNI, p.214 (penúltimo parágrafo do livro).
  4. Ayn Rand, “The Chicken’s Homecoming”, in The New Left: the Anti-Industrial Revolution (New American Library, Signet Books, New York, Edição Revista, 1965, 1975), p.107, daqui em diante mencionado como NL. Cf. “Philosophy: Who Needs It”, in PWNI, p. 2: “A filosofia estuda a natureza fundamental da existência [realidade; daquilo que existe], do homem e de sua relação com a realidade. Em contraposição às ciências especiais, que lidam com aspectos particulares daquilo que existe, a filosofia lida com aqueles aspectos da realidade que dizem respeito a tudo que existe”. Cf. também Leonard Peikoff, Objectivism, The Philosophy of Ayn Rand (Dutton, New York, 1991), p. 2: “Filosofia é a ciência que guia a faculdade conceptual do homem e tudo o mais que depende dessa faculdade”.
  5. Ayn Rand, “Kant Versus Sullivan”, in PWNI, p.90; Cf. The Ayn Rand Lexicon: Objectivism from A to Z, editado por Harry Biswanger (New American Library, New York, 1986; volume 4 of The Ayn Rand Library, editada por Leonard Peikoff), p.355. Daqui em diante este livro será mencionado simplesmente como “Lexikon”.
  6. A língua inglesa tem várias palavras que são de difícil tradução por palavras diferentes em português. Tem “consciousness” e tem “awareness”, para não mencionar “conscience”, palavras que podem ser traduzidas por “consciência” em português. Deixando de lado “conscience”, que é mais utilizada em contextos morais (em correspondência ao alemão “Gewissen”), ficamos ainda com “consciousness” e “awareness”, que acabei traduzindo pela mesma palavra “consciência” (em correspondência com o alemão “Bewusstsein”), mas indicando em parênteses, sempre que necessário, qual o termo no original inglês. Faço isso, apesar de Ayn Rand usar as duas palavras como sinônimos, como reconhece Harry Biswanger, quando, no verbete “Awareness”, remete o leitor para o verbete “Consciousness”, in The Ayn Rand Lexicon: Objectivism from A to Z (op.cit.), p.43.
  7. Ayn Rand, Atlas Shrugged (***), “O Discurso de Galt”, p.***, daqui em diante mencionado como AS. “O Discurso de Galt” foi reimpresso em For the New Intellectual (New American Library, Signet Books, New York, 1961), p.124. Daqui em diante esse livro vai ser mencionado apenas como FNI.
  8. Ayn Rand, Introduction to Objectivist Epistemology (New American Library, Mentor Books, New York, 1966, 1967), p.73, daqui em diante mencionado apenas como ITOE.
  9. Ayn Rand, ITOE, p.5.
  10. Ayn Rand, ITOE, p.5.
  11. Muitos podem estranhar esse neologismo, mas é um neologismo que faz sentido. Existem os verbos “conceber” e “perceber”. Aquilo que se concebe é um “conceito”; aquilo que se percebe é, eu sugiro, um “perceito”.
  12. Ayn Rand, ITOE, p.5.
  13. Ayn Rand, ITOE, p.11.
  14. Ayn Rand, ITOE, pp.11-12.
  15. Ayn Rand, ITOE, p.15. Todo o texto em itálico no original.
  16. Ayn Rand, ITOE, pp.15-16.
  17. Ayn Rand, ITOE, p.18.
  18. Ayn Rand, ITOE, pp.11,18.
  19. Ayn Rand, ITOE, p.19.
  20. Ayn Rand, “For the New Intellectual”, in FNI, pp.14-15.
  21. Ayn Rand, ITOE, p.38. (Cp. Lexicon, p.94).
  22. Ayn Rand, ITOE, p.39. (Cp. Lexicon, p.95).
  23. Ayn Rand, ITOE, p.40. (Cp. Lexicon, p.86).
  24. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p.***; reimpresso em FNI, p.154.
  25. Leonard Peikoff, “Maybe You’re Wrong’, in The Objectivist Forum, April 1981, p.8.
  26. Ayn Rand, “Our Cultural Value-Deprivation”, in The Objectivist, April 1966, p. *** da edição reimpressa e encardernada. (Lexicon, p.93).
  27. Ayn Rand, ITOE, p.110. (Cp. Lexicon, pp.87,93-94).
  28. Ayn Rand, ITOE, p.110. (Cp. Lexicon, pp.86-87).
  29. Ayn Rand, ITOE, p.106. (Cp. Lexicon, p.94).
  30. Ayn Rand, “The Objectivist Ethics”, in The Virtue of Selfishness (Signet Books, New York, 1964), p.20, daqui em diante mencionado como VOS. (Lexicon, p.87).
  31. Cf. Ayn Rand, “The Objectivist Ethics”, in VOS, p.13. Cf. Ayn Rand, “Faith and Force: The Destroyers of the Modern World”, in PWNI, p.61; “For the New Intellectual”, in FNI, p.18. Cf. J. Charles King, “Life and the Theory of Value: The Randian Argument Reconsidered”, in The Philosophic Thought of Ayn Rand, editado por Douglas J. Den Uyl e Douglas B. Rasmussen (University of Illinois Press, Urbana e Chicago, 1986), p.103.
  32. Ayn Rand, “Objectivist Ethics”, in VOS, p.17.
  33. Para Ayn Rand, isso significa que o homem age sob a lei da causalidade – da causalidade final de que fala Aristóteles. “Para fazer as escolhas requeridas para a atinção de seus alvos, o homem precisa estar constante e permanentemente consciente (awareness) do princípio da causalidade – especificamente, da causa final Aristotélica (que é, de fato, aplicável apenas a seres humanos), i.e., do processo pelo qual um fim determina os meios, i.e., do processo de escolher um alvo e tomar as ações necessárias para alcançá-lo”; “Causality Versus Duty”, in PWNI, p.99.
  34. Ayn Rand colocou essa questão da seguinte forma, em sua entrevista a Playboy: “A moralidade tem lugar somente na esfera da liberdade humana, somente quando se trata de ações que estão abertas à escolha do homem” (panfleto, p.4). Cf. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p. ***; reimpresso em FNI, p.136: “Um pecado sem volição é . . . uma insolente contradição de termos: aquilo que está fora da possibilidade de escolha está fora da província da moralidade”.
  35. Ayn Rand, “Objectivist Ethics”, in VOS, p.13.
  36. “Um ‘padrão’ é um princípio abstrato que serve como medida, como indicador (gauge) ou guia das escolhas de um homem na consecução de um propósito concreto, específico”; Ayn Rand, “Objectivist Ethics”, in  VOS, p.25. Outros padrões de valor que têm sido propostos para a ética são “a vontade de Deus”, “o bem da sociedade”, etc. Cf. pp.14 e 34 do mesmo artigo.
  37. “Um instinto de auto-preservação é precisamente o que o homem não possui. Um ‘instinto’ é uma forma inerrante e automática de conhecimento”; Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p.*** ; reimpresso em FNI, p.121.
  38. Ayn Rand, “The Anti-Industrial Revolution”, in NL, p.136.
  39. Ayn Rand, “Causality versus Duty”, in PWNI, p.99.
  40. Cf. Ayn Rand, “Philosophy: Who Needs It?”, in PWNI, p.3.
  41. Ayn Rand, “Objectivist Ethics”, in VOS, p.13.
  42. Cf. Ayn Rand, “Philosophy: Who Needs It?”, in PWNI, p.3.
  43. Ayn Rand, “For the New Intellectual”, in FNI, pp.37-38.
  44. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p.***; reimpresso em FNI, p.127.
  45. Esta idéia é anátema na filosofia contemporânea. Mesmo um filósofo que a muitos pode parecer extremamente racional, como Bertrand Russell, se viu forçado a admitir, ao final de sua longa vida (mais de 90 anos), que, por mais que detestasse essa conclusão, a única coisa que ele conseguia encontrar de errado em Hitler e no Nazismo (bem como em outras coisas que ele condenava) é que eles fizeram coisas de que ele não gostava, que feriam aos seus sentimentos, à sua sensibilidade. Outros, admitia ele, poderiam ter gostos diferentes, sentimentos e sensibilidade mais resistentes…
  46. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p.(***); reimpresso em FNI, p.127.
  47. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, p.(***); reimpresso em FNI, p.122.
  48. Ayn Rand, “What is Capitalism?”, in Capitalism: the Unknown Ideal (New American Library, Signet Books, New York, 1946, 1967), pp.21-22, daqui em diante mencionado como CUI.
  49. Ayn Rand, “The Chicken’s Homecoming”, in NL, pp.108-109.
  50. Ayn Rand, “What is Capitalism?”, in CUI, p.16.
  51. Ayn Rand, “What is Capitalism?”, in CUI,p.17.
  52. Ayn Rand, “Objectivist Ethics”,  in VOS, p.25.
  53. Ayn Rand, “For the New Intellectual”, in FNI, p.25.
  54. Ayn Rand, “For the New Intellectual”, in FNI, p.25-26.
  55. Ayn Rand, “Faith and Force”, in PWNI, p.67.
  56. Ayn Rand, AS, p. 680; cp. p.993, neste caso em “O Discurso de Galt”.
  57. Ayn Rand, AS, “O Discurso de Galt”, pp.988-989.

© Copyright by Eduardo Chaves

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Este é o texto da quarta página, uma Breve Biografia de Ayn Rand:

Biografia

1. RESUMO DA BIOGRAFIA

Nascimento e Primeira Infância

Ayn Rand nasceu no dia 2 de Fevereiro de 1905 em São Petersburgo, Rússia. Seu nome real era Alissa Rosenbaum. Seus pais, como sugere o nome, eram judeus. Ela só veio a adotar o nome Ayn Rand (que tem as mesmas iniciais de seu nome real) anos depois, como um “nom de plume”.

Seus pais eram proprietários de um próspero negócio na cidade e a família vivia confortavelmente em um amplo apartamento. As férias de verão eram passadas em resorts no campo – quando não em viagens à Inglaterra ou à Suíça.

A Escola e a Decisão de se Tornar uma Romancista

Aprendeu a ler quando tinha por volta de seis anos, basicamente sozinha, com pequena ajuda de seus pais. Quando entrou na escola, por volta dos oito anos (idade de começar a escola na sua região naquela época), já lia e escrevia com facilidade.

Achou a escola destestável (exceto pelas aulas de matemática, que a desafiavam). Especialmente ruim foi a experiência de ler os textos “água com açúcar” que lhe davam, cheio de melosidades. Consta que ela teria comentado que, não tendo o menor interesse em conhecer, na vida real, pessoas como as das histórias que a obrigavam a ler, por que deveria ler sobre elas?

Fora da escola ela descobriu um dia uma história de detetive – e aquela história, cheia de enredo, de aventuras perigosas e arriscadas, com desafios ao raciocínio e à engenhosidade, capturou a imaginação da menina.

Ayn Rand foi pouco a pouco percebendo que desejava encontrar pessoas interessantes, que valessem a pena conhecer – como o detetive da história… Por conseguinte, começou a procurar material para ler (em geral fora da escola) que lhe apresentasse pessoas do tipo que ela gostaria de conhecer.

Ela logo descobriu que não havia tanto material assim disponível. Descobriu ainda algo mais importante: que ela não deveria ficar passivamente esperando que outros lhe criassem os personagens que ela gostaria de conhecer: se ela quisesse que esses personagens heróicos existissem, teria que lhes dar vida ela mesma.

Assim, antes dos seus doze anos, Ayn Rand já havia escrito várias histórias (em geral durante as aulas maçantes) e decidido que seria uma romancista, porque descobriu que poderia criar, em suas histórias, pessoas e acontecimentos infinitamente mais interessantes do que aqueles que ela confrontava em sua vida diária. (Na verdade, a decisão parece ter sido tomada quando Rand tinha dez anos!)

Estava aqui, já em embrião, a visão (mais tarde elaborada por ela e um dia explicitada com muita clareza por Mário Vargas Llosa) de que a função do romancista, do autor de obra de ficção, é recriar a realidade, como ela deveria ter sido. Ela mesma exprimiu a idéia assim:

“A arte é uma recriação seletiva da realidade de acordo com os juízos metafísicos de valor do artista. A finalidade da arte é concretizar a visão que o artista tem da existência. . . . Sou uma Romântica no sentido de apresento o homem como ele deveria ser. Sou uma Realista no sentido de que o coloco aqui e agora neste mundo”.

A Revolução Russa

Vivia ela com essas idéias quando eclodiu a Revolução Russa de 1917, pegando-a com doze anos. Em regra uma menina normal de doze anos não teria uma visão muito clara do que estava acontecendo. Mas Rand não era uma menina normal. Era uma menina que já havia descoberto que o que é admirável no ser humano é a capacidade de ação e liderança do indivíduo, seu potencial de grandeza e heroísmo — e que uma vez que se descubra isso, nada menos é aceitável. .

A essa visão individualista, a Revolução Russa contrapõe a massa informe; a essa visão de que o indivíduo deve agir e criar aquilo que ele deseja, a Revolução Russa contrapõe a idéia de que é o estado que deve dar as pessoas aquilo de que elas precisam…

Não é de surpreender que Rand e o comunismo não se dessem bem. E nem tanto porque os comunistas lhe roubaram a casa e destruíram o negócio de seu pai: mas porque o Comunismo representava um ideário totalmente incompatível com aquele que cristalizava a sua visão.

O que surpreendia a ainda menina era o fato de que as pessoas lamentavam as dificuldades, mas quase ninguém se preocupava em discutir a ideologia que havia trazido aquelas dificuldades…

A ideologia comunista roubava a Rand o direito de definir sua própria vida e de viver para si – e procurava obrigá-la a viver para os outros. Essa ideologia era voltada para destruir o indivíduo inteligente, competente, ambiciosa e independente – fazendo dele um refém nas mãos da turba, um animal sacrificial cuja destruição serviria para satisfazer a inveja dos incompetentes tribalizados.

Rand começou a perceber ali que o direito do indivíduo à sua própria vida, e aos frutos do seu trabalho (propriedade), é um direito inalienável, que nenhum outro indivíduo, grupo, coletivo, classe ou estado pode violar.

[INCOMPLETO – A CONTINUAR]

2. LIVROS DE NATUREZA BIOGRÁFICA

Nathaniel Branden e Barbara Branden, Who Is Ayn Rand? (Random House, New York, 1962)

Barbara Branden, The Passion of Ayn Rand (Doubleday, New York, 1987)

Nathaniel Branden, Judgment Day: My Years with Ayn Rand (Houghton Mifflin, Boston, 1989)

Michael Paxton, Ayn Rand: A Sense of Life – The Companion Book, livro publicado para acompanhar o Documentário de Longa Duração com o título Ayn Rand: A Sense of Life ( Gibbs Smith, Layton, UT, 1998)

3. FILME SOBRE AYN RAND 

Ayn Rand: A Sense of Life, Documentário de Longa Duração indicado para o Oscar de 1998, produção de Image Entertainment, direção de Michael Paxton, estrelando Sharon Glass, em VHS e DVD (duração: 2h23m). [Cf. o livro, mencionado acima, Michael Paxton, Ayn Rand: A Sense of Life – The Companion Book, publicado para acompanhar o filme( Gibbs Smith, Layton, UT, 1998)]

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Este o texto da quinta página, a Linha do Tempo de Ayn Rand:

Linha do Tempo

1905 – Nasce Ayn Rand, como Alissa Rosenbaum, em São Petersburgo, Rússia, no dia 2 de Fevereiro.

1924 – Forma-se pela Universidade de Leningrado (novo nome de São Petersburgo, que antes de passar a chamar-se Leningrado ainda se chamou Petrogrado).

1926 – Deixa a Rússia para os Estados Unidos no dia 26 de Janeiro; comemora seu 21º aniversário em Berlin; chega em New York dia 18 de Fevereiro; depois de seis meses com parentes em Chicago muda-se sozinha para Hollywood, onde vai trabalhar para Cecil B. de Mille; no set das filmagens de “The King of Kings” (O Rei dos Reis) encontra Frank O’Connor, que virá a ser seu marido.

1929 – Casa-se com Frank O’Connor no dia 15 de Abril em Los Angeles.

1931 – Torna-se cidadã americana no dia 13 de Março.

1936 – Publica We The Living.

1938 – Publica Anthem na Inglaterra apenas; no dia 26 de Junho começa a escrever The Fountainhead.

1941 – Vende os direitos de publicação de The Fountainhead para a editora Bobbs-Merrill, depois de ter o romance rejeitado por doze outras editoras.

1942 – Termina The Fountainhead e entrega o manuscrito à editora no último dia do ano.

1943 – Publica The Fountainhead e vende os direitos de filmagem do romance para Warner Bros, com a condição de que ela mesma seja a roteirista.

1945 – Publica Anthem nos Estados Unidos, pela editora Pamphleteers.

1946 – Começa a escrever Atlas Shrugged no dia 2 de Setembro. [O dia 2 de setembro tem um significado especial no livro].

1949 – Lança o filme The Fountainhead, com Gary Cooper e Patricia Neal nos papéis principais.

1957 – Termina Atlas Shrugged em Março e o publica em 10 de Outubro.

1961 – Publica For the New Intellectual.

1962 – Inicia a publicação de The Objectivist Newsletter.

1964 – Publica The Virtue of Selfishness.

1966 – The Objectivist Newsletter muda de format e de nome para The Objectivist.

1966 – Publica Capitalism: The Unknown Ideal.

1970 – Publica The Romantic Manifesto.

1971 – Publica The New Left: The Anti-Industrial Revolution; encerra a publicação de The Objectivist e começa a publicar The Ayn Rand Letter.

1976 – Encerra a publicação de The Ayn Rand Letter.

1979 – Publica Introduction to Objectivist Epistemology; seu marido Frank O’Connor morre.

1981 – Dá sua última conferência, em New Orleans, sobre o título “The Sanction of the Victim”.

1982 – Morre em 6 de Março, aos 77 anos. No segundo semestre do ano sai publicado o livro Philosophy: Who Needs It?

[Dados retirados de muitas fontes, mas especialmente de Letters of Ayn Rand, editado por Michael S. Berliner e Leonard Peikoff, e de Atlas Shrugged: Manifesto of the Mind, de Mimi Reisel Gladstein. Há uma linha do tempo bem mais completa em http://www.aynrand.org/aynrand/timeline.shtml]

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Este o texto da sexta página, um resumo da Obra Filosófica de Ayn Rand:

Obra Filosófica
O Valor Reconhecido da Filosofia Randiana

Ayn Rand certamente vai ser colocada entre as figuras mais importantes da filosofia do século XX e como a mais intransigente e coerente defensora da razão contra as várias formas de irracionalismo, do indivíduo contra as várias formas de coletivismo (social ou estatal), e da liberdade contra todas as formas de servitude. Mas a defesa do indivíduo e da liberdade se encaixam no contexto maior de sua defesa da razão. Na verdade, fazem parte de sua defesa da razão a defesa dos seguintes princípios, sem os quais a razão sossobra:

Realismo, na metafísica: a realidade existe, tem existência objetiva, e tem primazia sobre a consciência que dela tem o homem, ou seja, existe independentemente de ser percebida ou ser conhecida, não sendo, portanto, de maneira alguma, “construída” pela mente humana.

Empirismo, realismo, racionalismo, e objetivismo, na epistemologia: a realidade é cognoscível através dos sentidos e da razão; os sentidos fornecem a matéria prima que a razão identifica, analisa e integra na forma de conceitos, e esse conhecimento conceitual da realidade é objetivo.

Individualismo, egoísmo e racionalismo na ética: O indivíduo é a base de considerações morais, não o social, porque a razão é atributo do indivíduo, e não do coletivo, e é através da razão que o indivíduo define o código de valores que vai determinar sua conduta: um código baseado em seu auto-interesse racional (egoísmo), voltado para a preservação de seu valor supremo, a sua vida como ser racional (e conseqüentemente livre).

Liberalismo “laissez faire” na política: O único propósito defensável de um estado é defender os direitos do indivíduo à vida e à liberdade, protegendo-o contra a violência física, fraudes e quebra de contratos. Suas funções legítimas, portanto, devem se restringir a ser polícia (proteger o indivíduo de quem, dentro de uma unidade política, pode querer violar os seus direitos), ser exército (proteger o indivíduo de ameaças externas) e ser juiz (proteger os contratos e as propriedades do indivíduo contra quebra, fraude, roubo e outras ameaças).

Capitalismo na economia: O capitalismo é o único sistema econômico que preserva todos os outros princípios aqui enunciados; ele possui, portanto, um embasamento moral, e não meramente econômico ou pragmático.

A todo esse conjunto, que forma um dos poucos sistemas integrados e coerentes na filosofia do século XX, Ayn Rand deu o nome de Objetivismo (porque o termo “Racionalismo” já estava desgastado). Vamos discuti-lo em partes.

Mas é importante ressaltar desde já que o tema da razão pervade todos esses sub-temas. A própria Ayn Rand deixa isso claro:

“… Não sou primariamente uma advogada do capitalismo, mas do egoísmo; e não sou primariamente uma advogada do egoísmo, mas da razão. Se alguém reconhece a supremacia da razão e a aplica consistentemente, tudo o mais segue. Isto – a supremacia da razão – foi, é e será a preocupação primária de meu trabalho, e a essência do Objetivismo. … A razão na epistemologia leva ao egoísmo na ética, que por sua vez leva ao capitalismo na política. A estrutura hierárquica não pode ser invertida, nem pode um nível posterior se sustentar sem o fundamental” [2].

“Não podemos lutar contra o coletivismo, a menos que lutemos contra sua base moral: altruísmo. Não podemos lutar contra o altruísmo, a menos que lutemos contra sua base epistemológica: irracionalismo. Não podemos lutar contra nada – a menos que lutemos por alguma coisa: e aquilo pelo que devemos lutar é a supremacia da razão, e uma visão do homem como ser racional” [3].

NOTAS DE RODAPÉ

  1. Ayn Rand, “The Metaphysical and the Man-Made” (1973), in Philosophy: Who Needs It? (New American Library, New York, 1982; volume 1 of The Ayn Rand Library, editada por Leonard Peikoff), p.23, daqui em diante mencionado como PWNI.
  2. Ayn Rand, “Brief Summary”, in The Objectivist, September 1971, p.1089 (último número); Cf. também a Introdução de Leonard Peikoff a PWNI, p.vii.
  3. Ayn Rand, “Don’t Let it Go”, in PWNI, p.214 (penúltimo parágrafo do livro).

[Este trecho foi transcrito de “Ayn Rand: A Face Contemporânea do Racionalismo, do Individualismo e do Liberalismo”, de Eduardo O C Chaves, que está disponível neste site na seção Resumo das Idéias]

Os livros de Ayn Rand que discutem filosofia de forma mais sistemática são, basicamente, os seguintes:

1. Livros Editados em Vida:

For the New Intellectual (The New American Library, New York, 1961)

The Virtue of Selfishness: A New Concept of Egoism (The New American Library, New York, 1964. Tradução para o português sob o título A Virtude do Egoísmo por OnLine Assessoria em Idiomas, revisão de Winston Ling e Cândido Mendes Prunes, publicado pela Editora Ortiz e pelo Instituto de Estudos Empresariais, Porto Alegre, 1991)

Capitalism: The Unknown Ideal (The New American Library, New York, 1966)

Introduction to Objectivist Epistemology (1ª edição, The Objectivist, New York, 1966-1967, e The New American Library, New York, 1979; 2ª edição, expandida, editada por Harry Binswanger e Leonard Peikoff, A Meridian Book, New York, 1990)

The Romantic Manifesto: A Philosophy of Literature (The New American Library, New York, Edição Revista, 1971)

The New Left: The Anti-Industrial Revolution (The New American Library, New York, Edição Revista, 1971; uma nova edição foi publicada em 1998, sob o título Return of the Primitive: The Anti-Industrial Revolution, editada por Peter Schwartz, A Meridian Book, New York, 1999)

2. Livros Editados Postumamente

Philosophy: Who Needs It? Introdução de Leonard Peikoff (New American Library, New York, 1982. Vol. I da Série The Ayn Rand Library)

The Early Ayn Rand: A Selection from Her Unpublished Fiction, editado, com Introdução, por Leonard Peikoff (New American Library, New York, 1984. Vol. II da Série The Ayn Rand Library)

The Voice of Reason: Essays in Objectivist Thought, editado por Leonard Peikoff (New American Library, 1988. Possivelmente este seja o Vol. III da Série The Ayn Rand Library, ao qual há pouca referência)

The Ayn Rand Lexikon: Objectivism from A to Z, editado por Harry Binswanger, com Introdução de Leonard Peikoff, New American Library, New York, 1986. Vol. IV da Série The Ayn Rand Library)

The Ayn Rand Column: A Collection of Her Weekly Newspaper Articles Written for the Los Angeles Times, com Introdução de Peter Schwarz (Second Renaissance Books, Oceanside, CA, 1991)

Letters of Ayn Rand, editado por Michael S. Berliner com Introdução de Leonard Peikoff (A Dutton Book, New York, 1995)

Journals of Ayn Rand, editado por David Harriman com Prefácio de Leonard Peikoff (A Dutton Book, 1997)

Why Businessmen Need Philosophy, editado por Richard E. Ralston (Ayn Rand Institute Press, 1999)

Ayn Rand’s Marginalia: Her Critical Comments on the Writings of over 20 Authors, editado por Robert Mayhew (Second Renaissance Books, New Milford, CT, 1995)

The Ayn Rand Reader, editado por Gary Hull e Leonard Peikoff, com Introdução de Leonard Peikoff (1998)

Russian Writings on Hollywood, editado por Michael S. Berliner (Ayn Rand Institute Press, 1999)

The Art of Fiction: A Guide for Writers & Readers,editado por Tore Boeckmann com Introdução de Leonard Peikoff (2000)

[Ainda continuam a sair livros de Ayn Rand editados postumamente por The Ayn Rand Institute, apesar de já se passarem 19 anos de sua morte. Leonard Peikoff foi incumbido por Ayn Rand de cuidar de seus manuscritos não publicados e de toda sua herança intelectual]

 3. Volumes com Newsletters:

The Objectivist Newsletter, Volumes 1-4, 1962-1965 (Palo Alto Book Service, Palo Alto, CA, 1967, 1982)

The Objectivist, Volumes 5-10, 1966-1971 (Palo Alto Book Service, Palo Alto, CA, 1982)

The Ayn Rand Letter, Volumes I-IV, 1971-1976 (Palo Alto Book Service, Palo Alto, CA, 1979, 1982, 1984)

Para adquirir uma cópia de A Virtude do Egoismo, tradução brasileira de The Virtue of Selfishness, ou de Objetivismo: A Filosofia de Ayn Rand?, tradução brasileira do livro de Leonard PeikoffObjectivism: The Philosophy of Ayn Rand (geralmente considerado o mais completo e sistemático tratamento das idéias de Ayn Rand), contate o Instituto Liberal do Rio Grande do Sul:

Instituto Liberal do Rio Grande do Sul
Inês Medvedovski, Secretária Executiva
Telefone: (51) 332-2376
E-Mail: il-rs@il-rs.com.br
Site: http://www.il-rs.com.br

O preço anunciado no site em 10/01/2001 é de R$ 20,00 e R$ 40,00, respectivamente. Confirme.

Ou, caso prefira, você pode adquiri-los em inglês de Laissez Faire Books ou de Amazon Books. Basta clicar no banner.

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Este o texto da sétima página, um resumo da Obra Literária de Ayn Rand:

Obra Literária
O Valor Reconhecido da Prosa Randiana

A Random House, editora americana que publica a famosa Modern Library, nos Estados Unidos, resolveu elaborar uma lista dos 100 melhores livros de ficção do século XX – baseada na opinião dos seus editores. Ao mesmo tempo, permitiu que o público leitor votasse sua própria lista das 100 melhores obras literárias dos últimos cem anos.

Eis o resultado dos dez primeiros da lista do público leitor, como divulgada no site http://www.randomhouse.com/modernlibrary/100best/novels.html. (A lista alcançou suficiente repercussão para ser comentada em The Economist, edição de 1/5-7/5 de 1999.

TODOS os quatro romances de Ayn Rand estão entre os dez primeiros colocados da lista dos leitores, os dois principais em primeiro e segundo lugar.

Eis “The Readers’ List”:

  1. Atlas Shrugged, de Ayn Rand
  2. The Fountainhead, de Ayn Rand
  3. Battlefield Earth, de L. Ron Hubbard
  4. The Lord of the Rings, de J.R.R. Tolkien
  5. To Kill a Mockingbird, de Harper Lee
  6. 1984, de George Orwell
  7. Anthem, de Ayn Rand
  8. We the Living, de Ayn Rand
  9. Mission Earth, de L. Ron Hubbard
  10. Fear, de L. Ron Hubbard

Eis as informações sobre a edição de cada um dessas quatro obras de ficção:

We The Living (Random House, New York, 1936)

Anthem (Pamphleteers, 1946, escrito em 1937)

The Fountainhead (The Bobbs-Merrill Co., Chicago, IL, 1943; brochura pela New American Library, New York. Tradução para o português sob o título A Nascente, publicado por  )

Atlas Shrugged (Random House, New York, 1957; brochura pela New American Library, New York. Tradução para o português sob o título Quem é John Galt? por Paulo Henriques Britto, publicado pelo Editora Expressão e Cultura, Rio de Janeiro, 1987)

Em pesquisa feita em 1991 pelo Book of the Month Club e pela Library of Congress, Atlas Shrugged foi, depois da Bíblia, o livro que mais afetou a vida dos leitores do Book of the Month Club (http://www.aynrand.org/medialink/pr013101.shtml).

Para adquirir uma cópia de A Nascente, tradução brasileira de The Fountainhead, ou de Quem é John Galt?, tradução brasileira de Atlas Shrugged, contate o Instituto Liberal do Rio Grande do Sul:

Instituto Liberal do Rio Grande do Sul
Inês Medvedovski, Secretária Executiva
Telefone: (51) 332-2376
E-Mail: il-rs@il-rs.com.br
Site: http://www.il-rs.com.br

O preço anunciado no site em 10/01/2001 é de R$ 28,00 e R$ 42,00, respectivamente. Confirme.

Ou, caso prefira, você pode adquiri-los em inglês de Laissez Faire Books ou de Amazon Books. Basta clicar no banner.

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Este o texto da oitava página, as Newsletters de Ayn Rand:

Newsletters

Durante quinze anos de sua vida, de 1962 a 1976, Ayn Rand publicou newsletters (usando três títulos diferentes para elas).

Felizmente elas estão hoje coletadas em três grandes volumes, e, portanto, são facilmente acessíveis por parte dos interessados. São estes os volumes:

The Objectivist Newsletter, Volumes 1-4, 1962-1965 (Palo Alto Book Service, Palo Alto, CA, 1967, 1982)

The Objectivist, Volumes 5-10, 1966-1971 (Palo Alto Book Service, Palo Alto, CA, 1982)

The Ayn Rand Letter, Volumes I-IV, 1971-1976 (Palo Alto Book Service, Palo Alto, CA, 1979, 1982, 1984)

Os três volumes são comercializados por Second Renaissance Books (http://www.secondrenaissance.com.br) pelo valor de US$ 129.85, custando US$ 23.95 a remessa para o Brasil (dados obtidos no site em 10 de janeiro de 2001 – por favor, confira).

As newsletters de Ayn Rand mostram a filósofa em seu dia-a-dia, fazendo resenhas de livros publicados por outros autores, comentando assuntos de natureza filosófica, política ou artística, discutindo acontecimentos que ela considerava importantes (como a expedição da espaçonave Apollo-11 ou a morte de Marilyn Monroe), esclarecendo o ponto de vista Objetivista através de artigos e comentários, etc. Alguns de seus principais associados, como Nathaniel Branden e, depois, Leonard Peikoff, também escrevem nas newsletters. Elas são indispensáveis para quem deseja fazer um estudo sério do pensamento de Rand.

Você pode adquiri-las em inglês de Laissez Faire Books ou de Amazon Books. Basta clicar no banner.

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Este o texto da nona página, as Cartas de Ayn Rand:

As Cartas de Ayn Rand

Em 1995 o mundo foi brindado com Letters of Ayn Rand, livro de cerca de 680 páginas, editado por Michael S. Berliner com Introdução de Leonard Peikoff (A Dutton Book, New York, 1995), que transcreve, em edição crítica, inúmeras cartas de Ayn Rand.

As cartas estão dispostas nas seguintes seções:

  1. Arrival in America to We The Living(1926-1936)
  2. We the Livingto The Fountainhead (1937-1943)
  3. Letters to Frank Lloyd Wright
  4. Return to Hollywoord (1944)
  5. Letters to Isabel Petterson
  6. The Fountainheadand Atlas Shrugged Years (1945-1959)
  7. Letters to a Philosopher
  8. The Later Years (1960-1981)

Appendix: A Letter from Ayn Rand “To the Readers of The Fountainhead” (1945)

Este livro pode ser adquirido de Laissez Faire Books — basta clicar no banner para chegar lá.

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Este o texto da décima página, os Diários de Ayn Rand:

Os Diários de Bordo de Ayn Rand

Em 1997 o mundo foi brindado com Journals of Ayn Rand, editado por David Harriman com Prefácio de Leonard Peikoff (A Dutton Book, 1997), livro de mais de 700 páginas que contêm as anotações que Ayn Rand fazia enquanto planejava e redigia seus livros.

O livro está divido em cinco partes e dezesseis capítulos, a saber:

Part 1: Early Projects

1 – The Hollywood Years

2 – We The Living

3 – First Philosophic Journal

Part 2: The Fountainhead 

4 – Theme and Characters

5 – Architectural Research

6 – Plot

7 – Notes While Writing

Part 3 – Transition Between Novels

8 – The Moral Basis of Individualism

9 – Top Secret

10 – Communismo and HUAC

Part 4 – Atlas Shrugged

11 – The Mind on Strike

12 – Final Preparations

13 – Notes While Writing: 1947-1952

14 – Notes While Writing Galt’s Speech

Part 5 – Final Years 

15 – Notes: 1955-1977

16 – Two Possible Books

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Este o texto da décima primeira página, a Filmografia de Ayn Rand:

Filmografia

1. FILMES BASEADOS EM LIVROS DE AYN RAND

A. We the Living (Drama, 1942-43)

Filmado clandestinamente na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

Título Original: Noi Vivi

Direção: Goffredo Alessandrini

Atores Principais:

Rossano Brazzi

Alida Valli

Fosco Giachetti

Disponível em VHS (duas fitas)

Sinopse (retirada de Yahoo Movies [http://movies.yahoo.com]):

Based on Ayn Rand’s best-selling novel. A woman in revolutionary Russia accepts a communist party member’s advances in order to save the life of the man she really loves. Rand’s anti-communist message valuing the individual over the state interestingly struck just as resonant a chord in fascist Italy. The film was banned (despite its popularity) by Mussolini.

B. The Fountainhead (Drama, 1949)

Produção: Henry Blanke

Direção: King Vidor

Roteiro: Ayn Rand

Fotografia: Robert Burks

Música: Max Steiner

Atores:

Gary Cooper no papel de Howard Roark

Patricia Neal no papel de Dominique Francon

Robert Douglas no papel de Ellsworth Toohey

Kent Smith no papel de Peter Keating

Raymond Massey no papel de Gail Wynand

Henry Hull

Filme em branco e preto, 1h49m de duração, Warner Brothers, 1949

Disponível em VHS

Sinopse (retirada de Yahoo Movies [http://movies.yahoo.com]):

Long treasured as a masterpiece of camp, THE FOUNTAINHEAD stars Gary Cooper as architect Howard Roark. A paragon of integrity, he refuses to create buildings that violate his sense of aesthetic value, choosing instead to work as laborer until he can find funding for his own projects. He becomes involved with wealthy Dominique (Patricia Neal), a woman who combines sexual aggressiveness with an abiding belief that a woman must be subdued in order to love. Roark accepts a commission to build a public-housing project provided that no changes be made to his radical design. When a team of architects is employed to humanize his work, the enraged architect blows up the entire complex. He’s placed on trial and is forced to defend the extremity of his action. One of the most unusual artifacts ever to emerge from Hollywood, Ayn Rand’s adaptation of her novel is a contradictory hodgepodge of sub-Nietzschean musing, so laden with wooden rhetoric and hysterical ranting that it could never be mistaken for any speech ever uttered on this planet. The bizarre miscasting of Cooper as an arrogant Ubermann and Patricia Neal as a mildly sadomasochistic intellectual only add to the fun. In the legendary scene in which Dominique watches Roark pound his pneumatic drill into the quarry rockface, there’s no mistaking the beatific look on her face for intellectual excitement.

2. FILMES COM ROTEIRO DE AYN RAND

A. Love Letters (Drama, 1945)

Produção: Hal B. Wallis

Direção: William Dieterle

Roteiro: Ayn Rand

Diretores Artísticos: Hans Dreier e Roland Anderson

Fotografia: Lee Garmes

Música: Victor Young

Atores Principais:

Jennifer Jones

Joseph Cotton

Ann Richards

Gladys Cooper

Anita Louise

Sinopse (retirada de Yahoo Movies [http://movies.yahoo.com]):

Surprisingly, this Gothic romance was chosen as the favorite film of American troops stationed overseas in 1945. It stars Joseph Cotten as Alan Quinton, a thoughtful, world-weary serviceman stationed in Italy during WWII who agrees to write love letters on behalf of his less verbally adept friend Roger (Robert Sully). In the course of his exchanges with Roger’s girlfriend, he finds himself falling in love with her. Roger returns to England and marries the woman and, not long after, is found stabbed to death. Alan, still bearing scars from the war, ends up in rural England and one day happens upon a woman named Singleton (Jennifer Jones). He realizes that she is the woman he wrote to, now suffering from amnesia as a result of her husband’s violent death. The couple fall in love and plan to marry, but Alan must still uncover the mystery of what happened on the day that his friend was murdered and his wife lost her memory. Cotten and Jones have real chemistry, and the expressionistic camarawork of Lee Garmes is brilliant.

B. You Came Along (Drama, Romance, 1945)

Produção: Hal B. Wallis

Direção: John Farrow

Roteiro: Ayn Rand e Robert Smith

Fotografia: Daniel L. Fapp

Atores Principais:

Robert Cummings

Lizabeth Scott

Don DeFore

Charles Drake

Julie Bishop

Kim Hunter

Robert Sully

Hellen Forrest

Rhys Williams

Franklin Pangborn

Minor Watson

Howard Freeman

Andrew Tombes

Preto e Branco, 103 minutos, Paramount Pictures

3. FILME SOBRE AYN RAND 

Ayn Rand: A Sense of Life (Documentário, 1998)

Documentário de Longa Duração indicado para o Oscar de 1998 nessa categoria.

Produção, Direção e Roteiro: Michael Paxton

Narração: Sharon Glass

Atriz Principal: Sharon Glass

Em VHS e DVD, duração: 2h23m.

Sinopse (retirada de Yahoo Movies [http://movies.yahoo.com]):

The first authorized film to look at the life and work of the controversial Russian-born author, writer of such renowned novels as THE FOUNTAINHEAD and ATLAS SHRUGGED. Includes Rand’s early years in Russia, her escape from Communists to New York, and her years of writing on behalf of her political philosophy, Objectivism. Academy Award Nomination, Best Documentary Feature.

[Cf. o livro, mencionado acima, Michael Paxton, Ayn Rand: A Sense of Life – The Companion Book, publicado para acompanhar o filme ( Gibbs Smith, Layton, UT, 1998)] [Cf. o sitehttp://www.asenseoflife.com].

Estes filmes também podem ser adquiridos de Laissez Faire Books ou de Amazon Books. Basta clicar no banner.

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Este o texto da décima segunda página, as Trechos da Obra de Ayn Rand:

Trechos da Obra

Segue abaixo um trecho memorável de uma obra em que Ayn Rand mostra, de forma extremamente convincente, a inviabilidade de uma sociedade baseada no princípio marxista “De cada um, conforme sua capacidade, para cada um, conforme sua necessidade”.

O trecho é longo — é parte de Atlas Shrugged (1957; em Português: Quem é John Galt? [Editora Expressão e Cultura, 1987]), romance em que Ayn Rand conta, entre outras coisas, como uma fábrica de ponta e extremamente produtiva é destruída por idéias igualitárias. A transcrição é segundo o texto da tradução (pp. 510-517).

A maior parte do trecho é uma explicação, por parte de um ex-empregado, e dada a uma mulher que o entrevistava, de porque a fábrica faliu. Ironicamente, a fábrica se chamava Motores Século Vinte (Twentieth-Century Motors).

Trata-se de uma obra de ficção – ma non troppo. . . O livro foi recentemente votado pelos leitores, na Internet, a obra de ficção mais importante do século XX. Vide a página de referência. [Se preferir ler a passagem em Espanhol, clique aqui].

[p.510] Bem, foi uma coisa que aconteceu na fábrica onde eu trabalhei durante vinte anos. Foi quando o velho morreu e os herdeiros tomaram conta. Eles eram três, dois filhos e uma filha, e inventaram um novo plano para administrar a fábrica. Deixaram a gente votar, também, para aceitar ou não o plano, e todo mundo, quase todo mundo, votou a favor. A gente não sabia, pensava que fosse bom. Não, também não é bem isso, não. A gente pensavam que queriam que a gente achasse que era bom. O plano era o seguinte: cada um trabalhava conforme sua capacidade, e recebia conforme sua necessidade. . . .

Aprovamos o tal plano numa grande assembléia: nós éramos seis mil, todo mundo que trabalhava na fábrica. Os herdeiros do velho Starnes fizeram uns discursos compridos, e ninguém entendeu muito bem, mas ninguém fez nenhuma pergunta. Ninguém sabia como plano ia funcionar, mas cada um achava que o outro sabia. E quem tinha dúvida se sentia culpado e não dizia nada, porque do jeito como os herdeiros falavam, quem fosse contra era desumano e assassino de criancinha. Disseram que esse plano ia concretizar um nobre ideal. Como é que a gente podia saber? Não era isso que a gente ouvia a vida inteira dos pais, professores e pastores, em todos os jornais, filmes e discursos políticos? Não diziam sempre que isso é que era certo e justo? Bem, pode ser que a gente tenha alguma desculpa para o que fez naquela assembléia. O fato é que votamos a favor do plano, e o que aconteceu conosco depois foi merecido.

A senhora sabe, nós que trabalhamos lá na Século Vinte durante aqueles quatro anos, somos homens marcados. O que é que dizem que o inferno é? O mal, o mal puro, nu, absoluto, não é? Pois foi isso que a gente viu e ajudou a fazer, e acho que todos nós estamos malditos, e talvez nunca mais vamos ter perdão. . .

A senhora quer saber como funcionou o tal plano, e o que aconteceu com as pessoas? É como derramar água dentro de um tanque onde tem um cano no fundo puxando mais água do que entra, e cada balde que a senhora derrama lá dentro o cano alarga mais um bocado, e quanto mais a senhor trabalha, mais exigem da senhora, e no final a senhora está despejando balde quarenta horas por semana, depois quarenta e oito, depois cinqüenta e seis, para o jantar do vizinho, para a operação da mulher dele, para o sarampo do filho dele, para a cadeira de rodas da mãe dele, para a camisa do tio dele, para a escola do sobrinho dele, para o bebê do vizinho, para o bebê que ainda vai nascer, para todo mundo à sua volta, tudo é para eles, desde as fraldas até as dentaduras, e só o trabalho é seu, trabalhar da hora em que o sol nasce até escurecer, mês após mês, ano após ano, ganhando só suor, o prazer só deles, durante toda a sua vida, sem descansar, sem esperança, sem fim. . . .

De cada um, conforme sua capacidade, para cada um, conforme sua necessidade. . . .

Nós somos uma grande família, todo mundo, é o que nos diziam, estamos todos [p.511] no mesmo barco. Mas não é todo mundo que passa dez horas com um maçarico na mão, nem todo mundo que fica com dor de barriga ao mesmo tempo. Capacidade de quem? Necessidade de quem, quem tem prioridade? Quando é tudo uma coisa só, ninguém pode dizer quais são as suas necessidades, não é? Senão qualquer um pode dizer que necessita de um iate, e se só o que conta são os sentimentos dele, ele acaba até provando que tem razão. Por que não? Se eu só tenho o direito de ter carro depois que eu trabalhei tanto que fui parar no hospital, depois de garantir um carro para todo vagabundo e todo selvagem nu do mundo, por que ele não pode exigir de mim um iate também, se eu ainda tenho capacidade de trabalhar? Não pode? Então ele não pode exigir que eu tome meu café sem leite até ele conseguir pintar a sala de visitas dele? . . .

Pois é. . . . Mas aí decidiram que ninguém tinha direito de julgar suas próprias capacidades e necessidades. Tudo era resolvido na base da votação. Sim, senhora, tudo era votado em assembléia duas vezes por ano. Não tinha outro jeito, não é? E a senhora imagina o que acontecia nessas assembléias? Bastou a primeira para a gente descobrir que todo mundo tinha virado mendigo — mendigos, esfarrapados, humilhados, todos nós, porque nenhum homem podia dizer que fazia jus a seu salário, não tinha direitos nem fazia jus a nada, não era dono de seu trabalho, o trabalho pertencia à ‘família’, e ele não lhe devia nada em troca, a única coisa que cada um tinha era a sua ‘necessidade’, e aí tinha que pedir em público que atendessem às suas necessidades, como qualquer parasita, enumerando todos os seus problemas, até os remendos na calça e os resfriados da esposa, na esperança de que a ‘família’ lhe jogasse uma esmola. O jeito era chorar miséria, porque era a sua miséria, e não o seu trabalho, que agora era a moeda corrente de lá.

Assim, a coisa virou um concurso de misérias disputado por seis mil pedintes, cada um chorando mais miséria que o outro. Não tinha outro jeito, não é? A senhora imagina o que aconteceu, que tipo de homem ficava calado, com vergonha, e que tipo de homem levava a melhor?

Mas tem mais. Mais uma coisa que a gente descobriu na mesma assembléia. A produção da fábrica tinha caído quarenta por cento naquele primeiro semestre, e aí concluiu-se que alguém não tinha usado toda a sua ‘capacidade’. Quem? Como descobrir? A ‘família’ decidia isso no voto, também. Escolhiam no voto quais eram os melhores trabalhadores, e esses eram condenados a trabalhar mais, fazer hora extra todas as noites durante os próximos seis meses. E sem ganhar nada mais, porque a gente ganhava não por tempo nem por trabalho, e sim conforme a necessidade.

Será necessário explicar o que aconteceu depois disso? Explicar que tipo de criaturas nós fomos virando, nós que antes éramos seres humanos? Começamos a esconder toda a nossa capacidade, trabalhar mais devagar, ficar de olho para ter certeza de que a gente não trabalhava mais depressa nem melhor do que o colega ao nosso lado. Tinha que ser assim, pois a gente sabia que quem desse o melhor de si para a ‘família’ não ganhava elogio nem recompensa, mas castigo. Sabíamos que para cada imbecil que estragasse um motor e desse um prejuízo para a fábrica — ou por desleixo, porque ele não tinha nenhum motivo para caprichar, ou por pura incompetência — quem ia ter que pagar era a gente, trabalhando de noite e no domingo. Assim, a gente se esforçava o máximo para ser o pior possível.

Havia um garoto que começou todo empolgado com o nobre ideal, um garoto muito vivo, sem instrução, mas um crânio. No primeiro ano ele inventou um processo que economizava milhares de homens-hora. Deu de mão beijada a descoberta dele para a ‘família’, não pediu nada em troca, nem podia, mas não se incomodava com isso. Era tudo pelo ideal, dizia ele. Mas quando foi eleito um dos mais capazes e condenado a trabalhar de noite, ele fechou a boca e o cérebro. No ano seguinte, é claro, não teve nenhuma idéia brilhante.

A vida inteira nos ensinaram que os lucros e a competição tinham um efeito nefasto, que era terrível um competir com o outro para ver quem era melhor, não é? Nefasto? Pois deviam ver o que acontecia quando um competia com o outro para ver quem era o pior.

Não há maneira melhor de destruir um homem do que obrigá-lo a tentar NÃO fazer o melhor de que é capaz, a se esforçar por fazer o pior possível, dia após dia. Isso mata mais [p.512] depressa do que a bebida, a vadiagem, a vida de crime. Mas para nós a única saída era fingir incompetência. A única acusação que temíamos era a de que tínhamos capacidade. A capacidade era como uma hipoteca que não se termina de pagar.

E trabalhar para quê? A gente sabia que o mínimo para a sobrevivência era dado a todo mundo, quer trabalhasse quer não, a chamada ‘ajuda de custo para moradia e alimentação’, e mais do que isso não se tinha como ganhar, por mais que se esforçasse. Não se podia ter certeza de que seria possível comprar uma muda de roupas no ano seguinte — a senhora podia ou não ganhar uma ‘ajuda de custo para vestimentas’, dependendo de quantas pessoas quebrassem a perna, precisassem ser operadas, ou tivessem mais filhos. E se não havia dinheiro para todo mundo comprar roupas, então a senhora também ficava sem roupa nova.

Havia um homem que tinha passado a vida toda trabalhando até não poder mais, porque queria que seu filho fizesse faculdade. Pois bem, o garoto terminou o secundário no segundo ano de vigência do plano, mas a ‘família’ não quis dar ao homem uma ‘ajuda de custo’ para pagar a faculdade do filho. Disseram que o filho só ia poder entrar para a faculdade quando houvesse dinheiro para os filhos de todos entrarem para a faculdade — e, para isso, era preciso primeiro pagar a escola secundária dos filhos de todos, e não havia dinheiro nem para isso. O homem morreu no ano seguinte, numa briga de faca num bar, uma briga sem motivo; brigas desse tipo estavam se tornando cada vez mais comum entre nós.

Havia um sujeito mais velho, um viúvo sem família, que tinha um hobby: colecionar discos. Acho que era a única coisa de que ele gostava na vida. Antigamente, ele costumava ficar sem almoçar para ter dinheiro para comprar mais um disco clássico. Pois não lhe deram nenhuma ‘ajuda de custo’ para comprar discos — disseram que aquilo era ‘luxo pessoal’. Mas, naquela mesma assembléia, votaram a favor de dar para uma tal de Millie Bush, filha de alguém, uma garotinha de oito anos, feia e má, um aparelho de ouro para corrigir seus dentes — isto era uma ‘necessidade médica’, porque o psicólogo da empresa disse que a coitadinha ia ficar com complexo de inferioridade se seus dentes não fossem endireitados. O velho que gostava de música passou a beber. Chegou a um ponto em que nunca mais era visto sóbrio. Mas parece que uma coisa ele nunca esqueceu. Uma noite, ele vinha cambaleando pela rua quando viu a tal da Millie Bush: deu-lhe um soco que lhe quebrou todos os dentes. Todos.

A bebida, naturalmente, era a solução para a qual todos nós apelávamos, uns mais, outros menos. Não me pergunte onde é que achávamos dinheiro para isso. Quando todos os prazeres decentes são proibidos, sempre se dá um jeito de gozar os prazeres que não prestam. Ninguém arromba mercearias à noite nem rouba o colega para comprar discos clássicos nem caniços de pesca, mas se é para tomar um porre e esquecer, faz-se de tudo. Caniços de pesca? Armas para caçar? Máquinas fotográficas? Hobbies? Não havia ‘ajuda de custo de entretenimento’ para ninguém. O ‘entretenimento’ foi a primeira coisa que eles cortaram. Pois a gente não deve ter vergonha de reclamar quando alguém pede para abrirmos mão de uma coisa que nos dá prazer? Até mesmo a nossa ‘ajuda de custo de fumo’ foi racionada a ponto de só recebermos dois maços de cigarro por mês — e isso, diziam eles, porque o dinheiro estava indo para o fundo do leite dos bebês.

Os bebês eram o único produto que havia em quantidades cada vez maiores — porque as pessoas não tinham outra coisa para fazer, imagino, e porque não tinham que se preocupar com os gastos da criação dos bebês, já que eram uma responsabilidade da ‘família’. Aliás, a melhor maneira de conseguir um aumento e poder ficar mais folgado por uns tempos era ganhar uma ‘ajuda de custo para bebês’ — ou isso ou arranjar uma doença séria.

Não demorou muito para a gente entender como a coisa funcionava. Todo aquele que resolvia fazer tudo certinho tinha que se abster de tudo. Tinha que perder toda a vontade de gozar qualquer prazer, não gostar de fumar um cigarro nem mascar um chiclete, porque alguém podia ter uma necessidade maior do dinheiro gasto naquele cigarro ou chiclete. Sentia vergonha cada vez que engolia uma garfada de comida, pensando em quem tinha tido que trabalhar de noite para [p.513] pagar aquela garfada, sabendo que a comida que comia não era sua por direito, sentindo a vontade infame de ser trapaceado ao invés de trapacear, ser um pato e não um sanguessuga. Não podia ajudar os pais, para não colocar um fardo mais pesado sobre os ombros da ‘família’. Além disso, se ele tivesse um mínimo de senso de responsabilidade, não podia nem casar nem ter filhos, pois não podia planejar nada, prometer nada, contar com nada.

Mas os indolentes e irresponsáveis se deram bem. Arranjaram filhos, seduziram moças, trouxeram todos os parentes imprestáveis que tinham, todas as irmãs solteiras grávidas, para receber uma ‘ajuda de custo de doença’, inventaram todas as doenças possíveis, sem que os médicos pudessem provar a fraude, estragaram suas roupas, seus móveis, suas casas — pois não era a ‘família’ que estava pagando? Descobriram muito mais ‘necessidades’ do que os outros — desenvolveram um talento especial para isso, a única capacidade que demonstraram.

Deus me livre! A senhora entende? Compreendemos que nos tinham dado uma lei, uma lei MORAL, segundo eles, que punia aqueles que a observavam — pelo fato de a observarem. Quanto mais a senhora tentava seguir essa lei, mais a senhora sofria; quanto mais a senhora a violava, mais lucrava. A sua honestidade era como um instrumento nas mãos da desonestidade do próximo. Os honestos pagavam, e os desonestos lucravam. Os honestos perdiam, os desonestos, ganhavam. Com esse tipo de padrão do que é certo e errado, por quanto tempo os homens poderiam permanecer honestos? No começo éramos pessoas bem honestas, e só havia uns poucos aproveitadores. Éramos competentes, orgulhávamo-nos do nosso trabalho, e éramos empregados da melhor fábrica do país, para a qual o velho Starnes só contratava a nata dos trabalhadores. Um ano depois da implantação do plano não havia mais um homem honesto entre nós. Era ISSO o mal, o horror infernal que os pregadores usavam para assustar os fiéis, mas que a gente nunca imaginava ver em vida.

A questão não foi que o plano estimulasse uns poucos corruptos, e sim que ele corrompia pessoas honestas, e o efeito não podia ser outro — e era isso que chamavam de idéia moral!

Queriam que trabalhássemos em nome de quê? Do amor pelos nossos irmãos? Que irmãos? Os parasitas, os sanguessugas que víamos ao redor? E se eles eram desonestos ou se eram incompetentes, se não tinham vontade ou não tinham capacidade de trabalhar — que diferença fazia para nós? Se estávamos presos para o resto da vida àquele nível de incompetência, fosse verdadeiro ou fingido, por quanto tempo nos daríamos o trabalho de seguir em frente? Não tínhamos como saber qual era a verdadeira capacidade deles, não tínhamos como controlar suas necessidades — só sabíamos que éramos burros de carga lutando às cegas num lugar que era meio hospital, meio curral — um lugar onde só incentivavam a incompetência, as catástrofes, as doenças – burros de carga que só serviam às necessidades que os outros afirmavam ter.

Amor fraternal? Foi aí que aprendemos, pela primeira vez na vida, a odiar nossos irmãos. Começamos a odiá-los por cada refeição que faziam, cada pequeno prazer que gozavam, a camisa nova de um, o chapéu da esposa do outro, o passeio que um dava com a família, a reforma que o outro fazia na sua casa — tudo aquilo era tirado de nós, era pago pelas nossas privações, nossa renúncias, nossa fome.

Um começou a espionar o outro, cada um tentando flagrar o outro em alguma mentira sobre as suas necessidades, para cortar sua ‘ajuda de custo’ na próxima assembléia. começaram a surgir delatores, que descobriam que alguém tinha comprado clandestinamente um peru para a família num domingo qualquer, provavelmente com o dinheiro que ganhara no jogo. Começamos a nos meter um na vida do outro. Provocávamos brigas de família, para conseguir que os parentes de alguns saíssem da lista de beneficiados. Toda vez que víamos algum homem começando namorar uma moça, tornávamos a vida dele um inferno. Fizemos muitos noivados se romperem. Não queríamos que ninguém se casasse: não queríamos mais dependentes para alimentar.

Antigamente, comemorávamos quando alguém tinha filho, todo mundo contribuía para ajudar a pagar a conta do hospital, quando os pais estavam sem dinheiro no momento. Agora, quando nascia uma criança, ficávamos sem falar com os pais. Para nós, os bebês eram [p.514] agora o que os gafanhotos são para os fazendeiros.

Antigamente, ajudávamos quem tinha um doente na família. Agora . . . Vou contar só um caso para a senhora. Era a mãe de um homem que estava trabalhando conosco há quinze anos. Era uma senhora simpática, alegre e sábia, conhecia todos nós pelo primeiro nome, todos nós gostávamos dela, antes. Um dia ela escorregou na escada do porão, caiu e quebrou a bacia. Nós sabíamos o que isso representava para uma pessoa daquela idade. O médico disse que ela teria que ser hospitalizada, para fazer um tratamento caro e demorado. A velha morreu na véspera do dia em que ia ser removida para o hospital. Ninguém nunca explicou a causa da morte dela. Não, não sei se foi assassinada. Ninguém disse isso. Ninguém comentava nada sobre o assunto. A única coisa que eu sei — e disso nunca vou me esquecer — é que eu, também, quando dei por mim estava rezando para que ela morresse. Que Deus nos perdoe! Era essa a fraternidade, a segurança, a abundância que nos haviam prometido com a adoção do plano.

[p.515] E quando a gente via isso, entendia qual era a motivação verdadeira de todo mundo que já pregou o princípio “de cada um conforme sua capacidade, a cada um conforme sua necessidade”. Era esse o segredo da coisa. De início, eu não entendia como é que os homens instruídos, cultos e famosos do mundo poderiam fazer um erro como esse e pregar que esse tipo de abominação era direita — quando bastavam cinco minutos de reflexão para eles verem o que aconteceria quando alguém tentasse pôr em prática essa idéia. Agora eu sei que eles não defendiam isso por erro. Ninguém faz um erro desse tamanho inocentemente. Quando os homens defendem alguma loucura malévola, quando não têm como fazer essa idéia funcionar na prática e não têm um motivo que possa explicar essa sua escolha, então é porque não querem revelar o verdadeiro motivo.

E nós também não éramos tão inocentes assim, quando votamos a favor daquele plano na primeira assembléia. Não fizemos isso só porque acreditávamos naquelas besteiradas que eles vomitavam. Nós tínhamos outro motivo, mas as besteiradas nos ajudavam a escondê-lo dos outros e de nós mesmos, nos davam uma oportunidade de dar a impressão de que era virtude algo que tínhamos vergonha de assumir. Cada um que aprovou o plano achava que, num sistema assim, conseguiria faturar em cima dos lucros dos homens mais capazes. Cada um, por mais rico e inteligente que fosse, achava que havia alguém mais rico e mais inteligente, e que esse plano lhe daria acesso a uma fatia da riqueza e da inteligência daqueles que eram melhores que ele. Mas enquanto ele pensava que ia ganhar aquilo que ele não merecia e que cabia aos que lhe eram superiores, ele esquecia os homens que lhe eram inferiores e que iam querer roubá-lo tanto quanto ele queria roubar seus superiores. O trabalhador que gostava de pensar que suas necessidades lhe davam o direito de ter uma limusine igual à do patrão se esquecia de que todo vagabundo e mendigo do mundo viria gritando que as necessidades deles lhes davam o direito de ter uma geladeira igual à do trabalhador. Era ESSE o nosso motivo para aprovar o plano, na verdade, mas não gostávamos de pensar nisso: e então, quanto mais a idéia nos desagradava, mais alto gritávamos que éramos a favor do bem comum.

Bem, tivemos o que merecíamos. Quando vimos o que havíamos pedido, era tarde demais. Tínhamos caído numa armadilha, e não tínhamos para onde ir. Os melhores de nós saíram da fábrica na primeira semana de vigência do plano. Perdemos nossos melhores engenheiros, superintendentes, chefes, os trabalhadores mais [p.516] qualificados. Quem tem amor-próprio não se deixa transformar em vaca leiteira para ser ordenhada pelos outros. Alguns sujeitos capacitados tentaram seguir em frente, mas não conseguiram agüentar muito tempo. A gente estava sempre perdendo os melhores, que viviam fugindo da fábrica como o diabo da cruz, até que só restavam os homens necessitados, sem mais nenhum dos capacitados. E os poucos que ainda valiam alguma coisa eram aqueles que já estavam lá havia muito tempo.

Antigamente, ninguém pedia demissão da Século Vinte, e a gente não conseguia se convencer de que a Século Vinte não existia mais. Depois de algum tempo, não podíamos mais pedir demissão porque nenhum outro empregador nos aceitaria, aliás com razão. Ninguém queria ter qualquer tipo de relacionamento conosco, nenhuma pessoa nem firma respeitável. Todas as pequenas lojas com que negociávamos começaram a sair de Starnesville depressa, e no final só restavam bares, cassinos e salafrários que nos vendiam porcarias a preços exorbitantes. As esmolas que recebíamos eram cada vez menores, mas o custo de vida subia. A lista dos necessitados da fábrica não parava de aumentar, mas a lista de fregueses diminuía. Havia cada vez menos renda para dividir entre cada vez mais pessoas.

Antigamente, dizia-se que a marca da Século Vinte era tão confiável quanto a marca de quilates num lingote de ouro. Não sei o que pensavam os herdeiros do velho Starnes, se é que eles pensavam alguma coisa, mas imagino que, como todos os planejadores sociais e selvagens, eles achavam que essa marca era um selo mágico que tinha um poder sobrenatural que os manteria ricos, tal como havia enriquecido seu pai. Mas quando nossos fregueses começaram a perceber que nunca conseguíamos entregar uma encomenda dentro do prazo, nem produzir um motor que não tivesse algum defeito, o selo mágico passou a ter o valor oposto: as pessoas não queriam um motor nem dado, se ele ostentasse o selo da Século Vinte.

E no final nossos fregueses eram todos do tipo que nunca pagam o que devem, e nunca têm mesmo intenção de pagar. Mas Gerald Starnes, dopado por sua própria publicidade, ficava todo empertigado, com ar de superioridade moral, exigindo que os empresários comprassem nossos motores, não porque eles fossem bons, mas porque tínhamos muita NECESSIDADE de encomendas.

Àquela altura qualquer imbecil já podia ver o que gerações de professores não haviam conseguido enxergar. De que adiantaria nossa necessidade, para uma usina, quando os geradores paravam porque nossos motores não funcionavam direito? De que ela adiantaria para um paciente sendo operado, quando faltasse luz no hospital? De que ela adiantaria para os passageiros de um avião, quando os motores pifassem em pleno vôo? E se eles comprassem nossos produtos não por causa do seu valor, mas por causa de nossa necessidade, isso seria correto, bom, moralmente certo para o dono daquela usina, o cirurgião daquele hospital, o fabricante daquele avião?

Pois era esta a lei moral que os professores e líderes e pensadores queriam estabelecer por todo o mundo. Se era este o resultado quando ela era aplicada numa única cidadezinha onde todo mundo se conhecia, a senhora pode imaginar o que aconteceria em escala mundial? A senhora pode imaginar o que aconteceria se a senhora tivesse de viver e trabalhar afetada por todos os desastres e toda a malandragem do mundo? Trabalhar — e quando alguém cometesse um erro em algum lugar, a senhora é que teria de pagar. Trabalhar — sem jamais ter perspectivas de melhorar de vida, sendo que suas refeições, suas roupas, sua casa e seu prazer estariam à mercê de qualquer trapaça, de qualquer problema de fome ou de peste em qualquer parte do mundo. Trabalhar — sem nenhuma perspectiva de ganhar uma ração extra enquanto os cambojanos não tivessem sido alimentados e os patagônios não tivessem todos feito faculdade. Trabalhar — tendo cada criatura no mundo um cheque em branco na mão, gente que a senhora nunca vai conhecer, cujas necessidades a senhora jamais vai conhecer, cuja capacidade e preguiça e desleixo e desonestidade são coisas que a senhora jamais vai saber nem tem direito de questionar — enquanto as Ivys e os Geralds da vida resolvem quem vai consumir o esforço, os sonhos e os dias de sua vida. E é ESTA lei moral que se deve aceitar? ISTO é um ideal moral?

Olhe, nós tentamos — e aprendemos. Nossa agonia durou quatro anos, da nossa primeira assembléia à última, e acabou da única [p.517] maneira que podia acabar: com a falência. Na nossa última assembléia foi Ivy Starnes que tentou manter as aparências. Fez um discurso curto, vil e insolente, dizendo que o plano havia fracassado porque o resto do país não o havia aceitado, que uma única comunidade não poderia ter sucesso no meio de um mundo egoísta e ganancioso, e que o plano era um ideal nobre, mas que a natureza humana não era suficientemente boa para que ele desse certo.

Um rapaz — o mesmo que fora punido por dar uma boa idéia no primeiro ano — levantou-se, enquanto todos os outros permaneciam calados, e andou até Ivy Starnes no tablado. Não disse nada. Cuspiu na cara dela. Foi assim que acabaram o nobre plano e a Século Vinte.

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Este o texto da décima terceira página: uma Bibliografia sobre Ayn Rand:

Bibliografia

I. LIVROS DE AYN RAND

1. OBRAS DE FICÇÃO 

A. PRIMEIRAS TENTATIVAS

Russian Writings on Hollywood, editado por Michael S. Berliner (Escrito em 1925; Ayn Rand Institute Press, 1999)

The Early Ayn Rand: A Selection from Her Unpublished Fiction, editado por Leonard Peikoff (Escrito de 1926 a 1939; New American Library, New York, 1984; Signet, New York, 1986; Vol. II da Série The Ayn Rand Library)

Night of January 16 (Escrito em 1933; The World Publishing Company, New York, 1968; Signet, New York, 1971)

B. ROMANCES 

We The Living (Escrito em 1936; Macmillan, 1936; Random House, 1959; Signet, New York, 1966)

Anthem (Escrito em 1937; Cassell, 1938; Pamphleteers, 1946; Signet, New York, 1961)

The Fountainhead (Concluído em 1942; The Bobbs-Merrill Co., Chicago, IL, 1943; Signet, New York, 1952. Tradução para o português sob o título A Nascente, publicado por  )

Atlas Shrugged (Concluído em 1958; Random House, New York, 1957; Signet, New York, 1959. Tradução para o português sob o título Quem é John Galt? por Paulo Henriques Britto, publicado pelo Editora Expressão e Cultura, Rio de Janeiro, 1987)

2. ENSAIOS FILOSÓFICOS E CULTURAIS 

For the New Intellectual (Escrito em 1961; Random House, New York, 1961; Signet, New York, 1963)

The Virtue of Selfishness: A New Concept of Egoism (Escrito em 1963; Signet, New York, 1963. Tradução para o português sob o título A Virtude do Egoísmo por OnLine Assessoria em Idiomas, revisão de Winston Ling e Cândido Mendes Prunes, publicado pela Editora Ortiz e pelo Instituto de Estudos Empresariais, Porto Alegre, 1991)

Capitalism: The Unknown Ideal (Escrito em 1966; New American Library, 1966; Signet, New York, 1967)

Introduction to Objectivist Epistemology (Escrito em 1966-1967; 1ª edição, The Objectivist, New York, 1966-1967; New American Library, New York, 1979; 2ª edição, expandida, editada por Harry Binswanger e Leonard Peikoff, New American Library, New York, 1990)

The Romantic Manifesto: A Philosophy of Literature (World, 1969; Edição Revista: New American Library, New York, 1971)

The New Left: The Anti-Industrial Revolution (New American Library, New York, 1971; Edição Revista, 1975; Nova Edição, ampliada, sob o título Return of the Primitive: The Anti-Industrial Revolution, editada por Peter Schwartz, A Meridian Book, New York, 1999)

Philosophy: Who Needs It? Introdução de Leonard Peikoff (Bobbs-Merrill, 1982; Signet, New York, 1984; Vol. I da Série The Ayn Rand Library)

The Voice of Reason: Essays in Objectivist Thought, editado por Leonard Peikoff (New American Library, New York, 1988; Meridian, New York, 1990. Possivelmente este seja o Vol. III da Série The Ayn Rand Library, ao qual há pouca referência)

3. VOLUMES DE NEWSLETTERS

The Objectivist Newsletter, Volumes 1-4, 1962-1965 (Palo Alto Book Service, Palo Alto, CA, 1967, 1982)

The Objectivist, Volumes 5-10, 1966-1971 (Palo Alto Book Service, Palo Alto, CA, 1982)

The Ayn Rand Letter, Volumes I-IV, 1971-1976 (Palo Alto Book Service, Palo Alto, CA, 1979, 1982, 1984)

4. COLEÇÕES DE CARTAS, DIÁRIOS, ARTIGOS, MARGINALIA, ETC.

Letters of Ayn Rand, editado por Michael S. Berliner com Introdução de Leonard Peikoff (Escritas de 1926 a 1981; Dutton Book, New York, 1995; Plume, New York, 1997)

Journals of Ayn Rand, editado por David Harriman com Prefácio de Leonard Peikoff (Escritos de 1927 a 1977; Dutton Book, 1997; Plume, New York, 1999)

The Ayn Rand Column: A Collection of Her Weekly Newspaper Articles Written for the Los Angeles Times, com Introdução de Peter Schwarz (Escritos de 1944 a 1979; Second Renaissance Books, Oceanside, CA, 1991; Edição Revista e Ampliada, 1998)

Ayn Rand’s Marginalia: Her Critical Comments on the Writings of over 20 Authors, editado por Robert Mayhew (Escritas de 1945 a 1981; Second Renaissance Books, New Milford, CT, 1995)

Why Businessmen Need Philosophy, editado por Richard E. Ralston (Escritos em 1962-63; Ayn Rand Institute Press, 1999)

5. TRANSCRIÇÕES DE CURSOS 

The Art of Fiction: A Guide for Writers & Readers,editado por Tore Boeckmann com Introdução de Leonard Peikoff (Elaborado em 1958; Plume, New York, 2000)

Writing Nonfiction: Its Theory and Practice, editado por Robert Mayhew (Elaborado em 1969; Plume, New york, 2001)

6. EXCERTOS 

The Ayn Rand Lexikon: Objectivism from A to Z, editado por Harry Binswanger, com Introdução de Leonard Peikoff (New American Library, New York, 1986; Meridian, 1988; Vol. IV da Série The Ayn Rand Library)

The Ayn Rand Reader, editado por Gary Hull e Leonard Peikoff, com Introdução de Leonard Peikoff (Plume, New York, 1999)

[Ainda continuam a sair livros de Ayn Rand editados postumamente por The Ayn Rand Institute, apesar de já se passarem 19 anos de sua morte. Leonard Peikoff foi incumbido por Ayn Rand de cuidar de seus manuscritos não publicados e de toda sua herança intelectual]

II. ENTREVISTAS DE AYN RAND EM VÍDEO

Ayn Rand Interviewed by Tom Snyder. Entrevistador: Tom Snyder (28 minutos)

Ayn Rand Speaks for Herself. Entrevistador: James Day (30 minutos)

Donahue Interviews Ayn Rand and Milton Friedman. Entrevistador: Phil Donahue (98 minutos)

Mike Wallace Interviews Ayn Rand. Entrevistador: Mike Wallace (30 minutos)

III. FILMES BASEADOS EM LIVROS DE AYN RAND

We The Living, filmado clandestinamente na Itália durante a Segunda Guerra, direção de Goffredo Alessandrini, estrelando Rossano Brazzi, Alida Valli e Fosco Giachetti (duas fitas VHS).

The Fountainhead, produção de Henry Blanke, direção de King Vidor, roteiro de Ayn Rand, música de Max Steiner, estrelado por Gary Cooper e Patricia Neal, com a particiácão da Raymond Massey, Kent Smith, Robert Douglas, Henry Hull (em branco e preto, 1h49m de duração, Warner Brothers, 1949)

IV. FILME COM ROTEIRO DE AYN RAND

Love Letters, direção de William Dieterle, estrelando Joseph Cotton e Jennifer Jones (1945)

You Came Along,  direção de John Farrow, estrelando Robert Cummins, Lizabeth Scott, Don DeFore (1945)

The Fountainhead, direção de King Vidor, estrelando Gary Cooper e Patricia Neal (1949)

V. LIVROS SOBRE AYN RAND OU QUE APRESENTAM SUAS IDÉIAS 

Nathaniel Branden e Barbara Branden, Who Is Ayn Rand? (Random House, New York, 1962)

Jerome Tuccille, It Usually Begins with Ayn Rand (Stein & Day, 1971, Cobden Press, San Francisco, CA, 1984, Fox & Wilkes, San Francisco, CA, 1996 [Edição de 25º Aniversário])

Harry Binswanger, The Biological Basis of Teleological Concepts (The Ayn Rand Institute Press, Los Angeles, 1976, 1990)

William F. O’Neill, An Analysis of Ayn Rand’s Philosophy (Littlefield Adams, Totowa, NJ, 1977)

Mimi Reisel Gladstein, The Ayn Rand Companion (Greenwood Press, Westport e Londres, 1984)

David Kelley, The Evidence of the Senses: A Realist Theory of Perception (Louisianna State University, Baton Rouge e Londres, 1986)

David Kelley, “A Theory of Abstraction”, in Cognition and Brain Theory, 1984, 7 (3 & 4), pp.329-357 (publicado como separata por The Objectivist Center, Poughkeepsie, NY)

Douglas J. Den Uyl e Douglas B. Rasmussen, The Philosophic Thought of Ayn Rand (University of Illinois Press, Urbana e Chicago, 1986)

Barbara Branden, The Passion of Ayn Rand (Doubleday, New York, 1987)

James T. Baker, Ayn Rand (Twayne Publishers, Boston, 1987)

Nathaniel Branden, Judgment Day: My Years with Ayn Rand (Houghton Mifflin, Boston, 1989) (Reescrito, este livro apareceu com o título My Years with Ayn Rand em 1999 – vide abaixo)

David Kelley, The Contested Legacy of Ayn Rand: Truth and Toleration in Objectivism (The Objectivist Center, Poughkeepsie, NY, e Transaction Publishers, New Brunswick e Londres, 2000, segunda edição de Truth and Toleration, originalmente publicado privadamente pelo autor em 1990)

George H, Smith, Atheism, Ayn Rand and Other Heresies (Prometheus Books, Buffalo, NY, 1991)

Ronald E. Merrill, The Ideas of Ayn Rand (Open Court, La Salle, IL, 1991)

Leonard Peikoff, Objectivism: The Philosophy of Ayn Rand (A Dutton Book, Penguin Books, New York, 1991; traduzido para o português sob o título Objetivismo: A Filosofia de Ayn Rand por Beatriz Viégas-Faria, com revisão de Alberto Oliva, publicado por Ateneu Objetivista, Porto Alegre, 2000)

Chris Matthew Sciabarra, Ayn Rand: The Russian Radical (The Pennsylvania State University Press, University Park, PA, 1995)

David Kelley, Unrugged Individualism: The Selfish Basis of Benevolence (Institute for Objective Studies, Poughkeepsie, NY, 1996)

Peter F. Erickson. The Stance of Atlas: An Examination of the Philosophy of Ayn Rand (Herakles Press, Portland, OR, 1997)

Kenneth R. Livingston, Rationality and the Psychology of Abstraction (The Objectivist Center, Poughkeepsie, NY, 1998)

Michael Paxton, Ayn Rand: A Sense of Life – The Companion Book, livro publicado para acompanhar o Documentário de Longa Duração com o título Ayn Rand: A Sense of Life (Gibbs Smith, Layton, UT, 1998)

Nathaniel Branden, My Years with Ayn Rand (Jossey-Bass Publishers, San Francisco, 1999). [Este livro é uma reedição, completamente revista, alterada e atualizada, do livro Judgment Day: My Years with Ayn Rand de 1989 – vide acima]

Jeff Walker, The Ayn Rand Cult (Open Court, Chicago, IL, 1999)

Mimi Reisel Gladstein e Chris Matthew Sciabarra, eds., Feminist Interpretations of Ayn Rand: Re-reading the Canon (The Pennsylvania State University Press, University Park, PA, 1999)

Allan Gotthelf, Ayn Rand (Wadsworth Thomson Learning, Belmont, CA, 2000, na Série Wadsworth Philosophers)

Douglas Den Uyl, The Fountainhead: An American Novel (Twayne Publishers, New York, 2000, na Série Twayne’s MasterWorks Studies)

Louis Torres e Michelle Marder Kamhi, What Art Is: The Esthetic Theory of Ayn Rand (Open Court, Chicago e La Salle, IL, 2000)

Mimi Reisel Gladstein, Atlas Shrugged: Manifesto of the Mind (Twayne Publishers, New York, 2000, na Série Twayne’s MasterWorks Studies)

Roderick T. Long, Reason and Value: Aristotle versus Rand (2000)

Tara Smith, Viable Values: A Study of Life as the Root and Reward of Morality (Rowman & Littlefield Publishers, New York e Oxford, 2000)

William R. Thomas e David Kelley, The Logical Structure of Objectivism (The Objectivist Center, Poughkeepsie, NY, 2001)

Alexandra York, From the Fountainhead to the Future: And Other Essays on Art and Excellence ()

David Kelley e Stephen Cox, The Fountainhead – 50th Anniversary Celebration ( )

Mimi Reisel Gladstein, The New Ayn Rand Companion ( )

Tibor R. Machan, Ayn Rand ( )

VI. FILME SOBRE AYN RAND 

Ayn Rand: A Sense of Life, Documentário de Longa Duração indicado para o Oscar de 1998, produção de Image Entertainment, direção de Michael Paxton, estrelando Sharon Glass, em VHS e DVD (duração: 2h23m). [Cf. o livro, mencionado acima, Michael Paxton, Ayn Rand: A Sense of Life – The Companion Book, publicado para acompanhar o filme (Gibbs Smith, Layton, UT, 1998)] [Vide também o site http://www.asenseoflife.com]

Todos estes livros, vídeos e filmes podem ser adquiridos no site de The Objectivist Center (anteriormente Institute of Objectivist Studies), http://www.objectivistcenter.org ou http://www.ios.org).

Ou, caso prefira, você pode adquiri-los de Laissez Faire Books. Basta clicar no banner.

________________________________________________________________________

Este o texto da décima quarta página: uma Centros de Estudo sobre a obra de Ayn Rand:

Centros de Estudo

Há, basicamente, três Centros de Estudo das idéias de Ayn Rand hoje nos Estados Unidos:

The Ayn Rand Institute (http://www.aynrand.com  e http://www.aynrand.org), coordenado por Leonard Peikoff, testamenteiro oficial de Ayn Rand. Esse centro representa uma visão “ortodoxa” das idéias do Objetivismo.

The Objectivist Center (http://www.objectivistcenter.org/), anteriormente conhecido como Institute for Objectivist Studies, dirigido por David Kelley. Este centro representa uma visão mais aberta e sensata das idéias do Objetivismo]

The Ayn Rand Society (http://www.aynrandsociety.org), grupo de interesse oficial sobre Ayn Rand na American Philosophical Association (APA)

________________________________________________________________________

Este o texto da décima quinta página: Objetivistas Brasileiros:

Objetivistas Brasileiros

Há poucos objetivistas brasileiros conhecidos.

Se você é objetivista ou simpatizante, e gostaria de ver seu nome e endereço listado aqui, por favor escreva para Eduardo Chaves (endereço abaixo).

Eduardo Chaves
Professor de Filosofia na Faculdade de Educação da UNICAMP

Telefones
Fixo: (19) 3254-2100
Celular: (19) 9121-1234
Fax: (19) 3294-7101

E-Mails 
eduardo@chaves.com.br
chaves@aynrand.com.br

Portal de Sites
chaves.com.br

Correspondência Convencional
Caixa Postal 5631
13095-990 Campinas, SP

André Paulino de Lima
Consultor em Tecnologia da Informação

Telefones
Fixo: (11) 5181-3814
Celular: (61) 923-4564

E-Mail
andre_lima@hotmail.com

[E-mail enviado em 26/2/2003]

Geraldo Boz Junior
Engenheiro

E-mail
gbozjr@yahoo.com.br

Site
http://geocities.yahoo.com.br/objetivismobr/

[E-mail enviado em 6/5/2004]

________________________________________________________________________

Este o texto da décima sexta página: Links Importantes:

Links de Interesse

I. Links Diretamente Relacionados com Ayn Rand e Objetivismo: 

The Objectivist Center (http://www.objectivistcenter.org/) [anteriormente conhecido como Institute for Objectivist Studies, dirigido por David Kelley, apresenta a visão mais sensata das idéias do Objetivismo]

The Ayn Rand Institute (http://www.aynrand.com  e http://www.aynrand.org) [elaborado sob a coordenação de Leonard Peikoff, testamenteiro oficial de Ayn Rand, o site apresenta uma visão “ortodoxa” das idéias do Objetivismo]

The Ayn Rand Society (http://www.aynrandsociety.org) [grupo de interesse oficial sobre Ayn Rand da American Philosophical Association (APA)]

The Ayn Rand Society at the College of New Jersey (http://www.trenton.edu/~aynrand/) [bom site sobre Ayn Rand que ramifica em várias outras fontes de informação relevantes ao assunto]

The Journal of Ayn Rand Studies (http://www.aynrandstudies.com) [periódico dedicado ao estudo das idéias de Ayn Rand]

Objective Education (http://www.objectiveeducation.com/) [site voltado para a discussão da educação objetivista: a finalidade da educação é capacitar a criança a se tornar um adulto independente]

New Romanticism.com (http://www.newromanticist.com/) [site dedicado à discussão da arte objetivista: a arte como ela deve ser]

ObjectivismTODAY.com (http://www.objectivismtoday.com/) [site voltado para a discussão de assuntos gerais a partir de uma perspectiva objetivista]

The Daily Objectivist (http://www.dailyobjectivist.com) [revista eletrônica voltada para a aplicação das idéias de Ayn Rand a problemas da vida diária]

Ayn Rand: A Sense of Life (http://www.asenseoflife.com) [site de um documentário sobre Ayn Rand indicado em 1997 para o Oscar na categoria de Documentário de Longa Duração]

Sense of Life Objectivists Headquarters – SOLO HQ (http://solohq.com/) [portal objetivista]

Journals of Ayn Rand (http://www.capitalism.org/journals/) [site do livro]

WeTheLiving.com (http://www.WeTheLiving.com) [site com endereços de várias listas de discussão sobre Ayn Rand e Objetivismo]

Objectivism and Ayn Rand (http://www.vix.com/objectivism) [comunidade Virtual de Paul Szpunar et alii sobre objetivismo]

Full Context (http://www.fullcontext.org) [newsletter mensal com entrevistas de objetivistas]

The Intellectual Activist: An Objectivist Review (http://www.intellectualactivist.com/) [Robert W. Stubblefield e Robert W. Tracinski, Editores]

The WWW Guide to Philosophy: The Integrating Science 
(http://www.thephilosophyguide.com/) [Este site apresenta a filosofia a partir de uma perspectiva objetivista]

The Turner Classic Movies Site on “The Fountainhead” -TCM By the Book / Educators’ Forum (http://www.turnerclassicmovies.com/by_the_book/fountain.htm) [material interessante sobre como usar The Fountainhead, o livro e o filme, em sala de aula]

The Andrew Lewis Show (http://www.alshow.com/) [As idéias de Ayn Rand com Andre Lewis no rádio]

The Objectivist Forum (http://www.capitalism.org/tof/) [editado por Harry Binswanger e Leonard Peikoff]

Leonard Peikoff: Philosopher of Objectivism (http://www.peikoff.com)

Leonard Peikoff’s Objectivism: The Philosophy of Ayn Rand (http://www.peikoff.com/opar/index.htm)

Principal Source (http://www.objectivistcenter.org/psource/) [serviço de venda de livros e outros materiais relacionados a Ayn Rand, ligado a The Objectivist Center]

Second Renaissance (http://www.rationalmind.com) [serviço de venda de livros e outros materiais relacionados a Ayn Rand, ligado a The Ayn Rand Institute]

The Ayn Rand Bookstore (http://aynrandbookstore.com/)  [Serviço ligado ao Capitalism Magazine.com. A seleção mais completa de escritos e palestras de Ayn Rand]

The Ayn Rand & Objectivism Bookstore (http://www.ronholland.com/bookstores/lib-bkstore/aynrand.htm) [serviço ligato a Ron Holland’s Libertarian Bookstore].

II.  Links Relacionados com Entidades e Pessoas que Defendem o Liberalismo:

1. No Brasil:

Instituto Liberal do Rio de Janeiro (http://www.institutoliberal.org.br/)

Instituto Liberal do Rio Grande do Sul (http://www.il-rs.com.br)

Instituto de Estudos Empresariais do Rio Grande do Sul (http://www.iee.com.br/)

2. Fora do Brasil:

Ludwig von Mises Institute (http://www.mises.org). Esse site dá acesso aos seguintes livros on-line de von Mises:

Human Action
Liberalism
Socialism
Economic Freedom and Interventionism
Theory and History
Epistemological Problems of Economics
Nation, State and Economy
The Ultimate Foundation of Economic Science
Money, Method and the Market Process
The Theory of Money and Credit

The Hayek Society (http://www.lse.ac.uk/clubs/hayek/)

Capitalism.org: The Unknown Ideal (http://www.capitalism.org)

Capitalism.com: Dedicated to the Principled Pursuit of Wealth (http://www.capitalism.com)

Capitalism Magazine.com: In Defense of Individual Rights

(http://www.capitalismmagazine.com/)

 ________________________________________________________________________

Este o texto da décima sétima (e última) página: Contatos

Contatos

Este site é de inteira responsabilidade de Eduardo Chaves, filósofo (Filosofia Política, Filosofia da Educação, Teoria do Conhecimento, Metafísica) na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP.

Para contato com Eduardo Chaves, use:

Telefone Fixo: (19) 3254-2100
Telefone Celular: (19) 9121-1234
Fax: (19) 3294-7101

E-Mail: eduardo@chaves.com.br ou chaves@aynrand.com.br

Caixa Postal 5631
13095-990 Campinas, SP

Para maiores informações sobre o responsável por este site visite http://chaves.com.br.

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Transcrito em Salto, 7-8 de Junho de 2016

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